Por que proibir a entrada de Julien Blanc mesmo?

Foto: dailymail.co.uk

Foto: dailymail.co.uk

E brasileiro lá precisa curso de sacanagem, gente? Trio Elétrico? Oi, alguém?

Aos meus três leitores fiéis, peço perdão pelo meu hiato.  Pôxa, eu estava olhando aqui, desde a Copa eu não criticava nenhum circo midiático!

Eu culpo a mídia, que há tempo não crucificava um babaquinha que, na minha opinião, valesse à pena criticar.

Não estou falando em criticar o babaca em si, pois isso qualquer babaca-mor lendo o jornal (ou Revista Contigo) seria capaz de fazer. Estou falando em uma saudável crítica ao apedrejamento popular, ai que saudade que eu estava!

A bola da vez é o suposto garanhão que viria ao Brasil dar aulas de galanteio. Até o fim deste post vou tentar vencer a preguiça e catar um link para te deixar a par do babado, caso você, assim como eu, não tenha tido muito saco para ficar lendo as festividades em torno deste metido a espertinho.

Gentem, será que eu sou a única que acho que esse cara está rindo nas ‘nossas’ costas, achando máximo esta mega exposição! Cara, eu nunca dei um like em qualquer notícia sobre o assunto, mas ele não sai da minha timeline. Gê-nio.

Respeitei. Acho até que vou me alistar no curso do cara para ver se descubro mais sobre as suas estratégias de marketing.

Como se não bastasse o ganho pessoal do pinta, lastimo o ‘rebanho feeling’ e a necessidade que o povo tem de engajar-se, mesmo que a polêmica seja um assunto furado desses. Pelo que ouvi falar, já recolheram não sei quantas assinaturas para proibir a entrada do suposto rei da paquera.

Ah, tem mais. Quem acha que o cara faz apologia ao estupro é o mesmo bando que acha que o Silvio Santos é racista. E podem dizer que estou fazendo apologia ao estupro,  vou falar. A mulherada é que é burra de aceitar as cantadas furadas desse idiota…ou estão louquinhas para aparecer nos vídeos que ele faz, então não sei o que é pior. Resumindo: a culpa é das patas que caem nesse conto do vigário.

Sabe de quem eu tenho pena? Daqueles que, graças a uma polêmica mais bem bolada, saem da minha (e da sua) timeline em menos de uma tarde. Kim Kardashian, coitada, não durou 2 horas na minha.  E imagino que não tenha sido pouco o que a mocréia gastou em marketing, hein?

Ah sim, o link: http://revistamarieclaire.globo.com/Mulheres-do-Mundo/noticia/2014/11/brasil-vai-negar-entrada-de-americano-que-ensina-pegar-mulher-confirma-itamaraty.html

10 Motivos Para Odiar os Bares da Moda (em segredo)

[Uma tradução do post originalmente publicado por Wait But Why aqui]

Na maioria as cidades pelo mundo afora, bares representam o âmago da vida social e andam de mãos dadas com a cultura jovem – algo estranho, já que o diagrama realista é este:

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A palavra “bar” pode remeter a uma variedade de lugares – a regra básica é, quanto mais descolado for o bar, pior experiência ele proporcionará. No final de semana é pior ainda, os bares uber-cools, super populares, escuros e com música alta tornam-se verdadeiros templos do sofrimento.

O problema começa porque na nossa imaginação os tais bares da moda são lugares divertidos. O cara pensa: “Esse findi vai ser ducaralho, vou beber todas na balada!” e tal pensamento nunca vem seguido de, “Peraí, acabo de me lembrar que bares são lugares horríveis de se ir no final de semana.”

Após anos de sofrimento acidental de bilhões de pessoas, chegou a hora de analisarmos em profundidade esta prática voluntária e examinarmos o que, de fato, significa ir a um bar da moda.

Vamos começar do começo:

É noite de sexta, você está animado. Você se apronta – está vestido apropriadamente, seus amigos também estão vestidos apropriadamente e vão todos ao local apropriado: o bar.

Ao chegar, se deparam com uma cena conhecida –

 

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Vamos parar por um momento e entender o que se passa por aqui.

Se quisermos entender o raciocínio dos bares da moda, basta entender o raciocínio de todos os outros estabelecimentos – “agrade os clientes e eles voltarão” – só que ao contrário.

É o que eu chamo de estratégia Você é um Nada. Ser forçado a ficar em uma fila como uma tartaruguinha adestrada – muitas vezes no frio e até mesmo quando o bar está vazio – isso é só um gostinho da estratégia para te mostrar que Você é um Nada.

Enquanto você espera, observa diversos grupos de meninas irem até a frente da fila sem esperar, o segurança levantando a corda e deixando elas passarem. Na sua frente. Porque Você é um Nada.

Quando finalmente chega sua vez, você notará que não há uma placa com o nome do bar, porque o bar adora observar seus clientes-de-nada passando trabalho para encontrá-los.

Daí chega a hora de mostrar sua identidade pra um sujeito que se não foi o maior babaca do seu colégio, foi o maior babaca do colégio de alguém.

Daí ele empurra a sua bundinha de Nada para o próximo estágio, mostrando para todo mundo que você desesperadamente quer ser cliente do bar, aceitando inclusive pagar $10 só para entrar. O toque final fica por conta do humilhante carimbo que ele vai tacar na sua mão – sem outro motivo, simplesmente porque pode.

Algum desavisado que estivesse observando, ao testemunhar tudo que se passou, presumiria que você está prestes a adentrar um paraíso utópico de prazeres. E ficaria surpreso ao te ver entrar nisso:

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No primeiro momento em que se entra em uma cena destas, sente-se um misto de terror e desespero. É um caldeirão do inferno – volume alto demais, escuro e cheio, sem nenhuma possibilidade de que algo de divertido ocorra por ali.

Não tenho certeza de quando ou por que isso aconteceu, mas em algum ponto na história ficou decidido que a abominável combinação volume alto/escuro/cheio seriam elementos essenciais de uma balada boa. [1] Talvez isso tenha começado porque as casas noturnas tentavam imitar a vibe dos concertos, e depois os bares começaram a imitar casas noturnas para parecer parecer mais descolados – não tenho certeza. Mas o resultado final é um lugar que não leva em consideração o conceito de humanidade, e lá está você no meio disso tudo.

[1] Em 2012, o NY Times descobriu que bares de Nova Iorque tornavam-se progressivamente mais alto com o passar dos anos, a tal ponto que agora com frequência atingem o perigoso ponto acima de 100 decibéis, semelhante ao barulho de uma motosserra. Por quê? Porque estudos clínicos demonstram que, quanto mais alto o volume, mais os clientes bebem.

Bom, agora que você já entrou – qual o próximo passo?  Vamos dar uma olhada nas diversas atividades das quais você participará durante a sua passagem pelo bar:

Atividade 1) Pegar umas bebidas

Depois de pendurar seu casaco em um gancho na parede e dar adeus a ele pela última vez, chegou a hora de pegar um drink. Você foi o primeiro dos seus amigos a passar pela porta, então está à frente do seu grupo que tenta ir passando pelo povo, o que significa que você gastará os piores $54 que um ser humano pode gastar em uma rodada de bebidas, já que ninguém irá lembrar daquela primeira rodada. Mas pegar a rodada é o objetivo final – antes você ainda tem que descobrir como passar pelas três camadas de pessoas que também tentam pedir uma bebida:

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É uma parada nojenta. E dependendo do seu nível de agressividade e sorte, fazer a pior compra da sua vida pode levar de 3 a 20 estressantes minutos. Eu estimo que tenha passado pelo menos o equivalente a uma semana da minha vida projetando minha cabeça para frente, encarando o barman com um olhar fulminante e ainda assim não conseguindo fazer contato com ele.

Finalmente voltando para sua rodinha de amigos com as bebidas, está na hora de começar a atividade básica de qualquer bar –

Atividade 2) Ficar lá parado sem falar com ninguém

Ficar lá parado sem falar com ninguém é a principal atividade de qualquer noite na balada. Se olharmos distraidamente, Alto/Escuro/Cheio dão a impressão de que todo mundo no bar está se divertindo e socializando. Mas na próxima vez que entrar em um, olhe bem ao redor e verá uma alta percentagem de pessoas como este cara:

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Há 30 minutos atrás este mesmo cara estava jantando com seus amigos – conversando, rindo, sentado confortavelmente. Mas agora, ufa, a verdadeira diversão começou.

Atividade 3) Segurar alguma coisa

Quase tão onipresente quanto a Atividade 2, segurar alguma coisa – normalmente uma bebida gelada – é uma atividade popular em bares no mundo todo. O que todo mundo ignora é que segurar uma bebida gelada é uma merda. A) Segurar qualquer coisa por um período prolongado é uma merda, B) Uma bebida gelada e molhada é ainda mais desagradável de se segurar e C) Como os bares são estupidamente cheios, seu cotovelo vai ser empurrado a cada 30 segundos, continuamente derramando a bebida na sua mão e pulso. Se você estivesse em um restaurante e alguém te pedisse para segurar uma bebida a alguns centímetros da mesa e enquanto usa o lugar, você iria embora.

Mas no bar infelizmente descansar a bebida não é uma opção, pois segurar nada em um bar deixaria suas mãos livres, o que tem o efeito colateral de te alertar para o fato de que você está lá parado sem falar com ninguém, te causando pânico. A solução é rapidamente segurar outra coisa, geralmente seu telefone, o que te deixa invisível novamente.

Atividade 4) Soltar gritinhos para mostrar para todo mundo que você está se divertindo

Desesperados para perpetuar a narrativa do “Que divertido” a qual fomos jurados, às vezes se ouve alguém gritar alguma coisa direcionada a ninguém específico. Eles não estão gritando uma palavra de verdade – é alguma coisa nada a ver tipo um “Woooh” ou “Ohhh!” Comparado às outras atividades, este é provavelmente o momento mais divertido da sua incursão ao bar.

Atividade 5) Gritar na cara de alguém

Daí chega aquele momento em que você decide interagir com os seus amigos, afinal, teoricamente vocês estão curtindo uma noite legal juntos. Não existe a mínima chance de cativar outros com seu bom papo, então a conversa é crua e básica – eu estimo que em 20 minutos de conversa de bar se alcance o equivalente a 1 minuto de conversa em um restaurante.

Talvez você esteja se sentindo ambicioso e decida abordar estranhos. Esta é normalmente uma experiência frustrante para ambos os lados da interação, e quase sempre termina em algo infrutífero. A ironia é que esta vibe Alto/Escuro/Cheio do caldeirão do inferno existe primariamente para pessoas solteiras que querem conhecer pessoas solteiras, mas os bares não conseguem desempenhar bem nem este que seria seu papel primário. Bares são lugares horríveis para solteiros encontrarem alguém. Já é difícil enxergar a cara das pessoas, que dirá as sutis expressões faciais que dão dicas sobre suas personalidades. E como está muito cheio e difícil de se escutar qualquer coisa, não vai rolar de se entrosar com os outros, restando apenas técnicas agressivas para iniciar-se uma conversa (ex. abordar estranhos) como a única maneira se tentar começar qualquer coisa.

Ao iniciar uma conversa com uma pessoa nova, você passará 6 minutos tentando sair daquelas primeiras nove linhas de conversas preliminares e ainda terminar sem a mínima ideia se essa pessoa tem senso de humor – digamos que não é o lugar ideal para se desenvolver uma química.

 

Atividade 6) Dançar

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Atividade 7) Chorar

Muitas pessoas choram nos bares.

Atividade 8) Banhar-se nos mais batidos estereótipos de gênero

De meninas furando a fila ou ganhando ingresso cortesia a caras pagando bebidas para meninas que conheceram há oito segundos atrás, os bares são uma arena moderna de estereótipos de gênero que atravessaram as décadas. Discriminação casual e misoginia requintada florescem e prosperam por aqui. Sexismo e desigualdade entre os sexos são temas de interesse no momento, e ainda assim ninguém parece se importar de voltar para 1953 quando entra em um bar.

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Atividade 9) Tomar shots para amenizar todo sofrimento

Shots não são gostosas. Quem falar o contrário está mentindo.

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Atividade 10) Rolar na sujeira

Bares são ótimos lugares para se absorver toda a imundície coletiva da humanidade. Chãos grudentos, vômito, estranhos se beijando, todo mundo soltando bafo na nuca de todo mundo, o pessoal do bar mexendo no dinheiro e depois colocando um limão no seu drink – é um nível de qualidade de vida que só poderia ter sido criado por bêbados e no qual somente bêbados conseguem sobreviver. O exemplar mais nojento é o banheiro dos homens, onde 120 caras bêbados despejam ¼ do seu mijo no chão – o que é como se 30 homens mijassem seu mijo inteiro no chão do banheiro, e você vai pisar lá pelo menos duas vezes ao longo da noite.

 ______________

No desfecho desta fossa das piores qualidades humanas, em meio a dois bebuns que descontam suas frustrações sexuais saindo no soco, chega a hora de dizer tchau.

De súbito lembrando que comida existe, você se reanima e caminha para a saída – mas não sem antes passar, claro, por aquele povo de fim de festa: hordas de tarados fazendo tentativas frenéticas para ver se levam alguém para casa. É com agradável surpresa que você encontra o seu casaco pendurado no mesmo lugar que deixou. Mas para compensar, lógico, você perde a comanda.

Daí acabou. Quer dizer, quase…

Tem um último passo crítico – o momento que propagará a espécie notívaga para a próxima noite: você tem que se convencer que a noite foi super divertida.

É claro que bares de som alto, escuros e cheios não são divertidos. Mas beber geralmente é divertido – não importa aonde. Vá bêbado para um mercadinho com um bando de amigos, e você irá se divertir. Ande de ônibus pela cidade – se você estiver bêbado, provavelmente irá se divertir. Se você acha que se divertiu no bar, o que na verdade aconteceu foi que você ficou bêbado e nem o bar conseguiu arruinar sua noite. Se uma coisa é divertida de verdade, deveria ser divertida mesmo quando se está sóbrio, e bares não são divertidos quando se está sóbrio.

Algumas pessoas nem se dão conta que odeiam bares, e para estas pessoas o auto-convencimento é um processo automático que se desenvolve ao longo da noite. Para outros, a auto-sugestão é um pouco mais forçada e leva uma ou mais semanas para se consumar. Algumas pessoas nunca conseguirão realizar essa distorção da própria memória, mas a maioria dos seus amigos conseguem, de tal modo que precisarão dos bares para outro propósito – evitar o tal ‘medo de ficar por fora’ – e acabarão mesmo assim retornando ao bar.

Temos aqui um problema sem nenhuma solução rápida – e até que as coisas mudem, as ruas boêmias ficarão tomadas de Nadas, pacientemente esperando sua vez de entrar.

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Domando o Mamute: Por Que Você Deveria Parar de se Importar Com o Que os Outros Pensam

Uma tradução do post originalmente publicado por Wait But Why aqui.

Parte 1: Conheça Seu Mamute

No meu primeiro dia da minha primeira série, fui para a escola e notei que havia uma linda menina nova na aula – alguém que não estava lá nos anos anteriores. O nome dela era Alana e em menos de uma hora ela se tornou tudo pra mim.

Quando se tem sete anos, não há um plano de ação plausível que a gente possa seguir quando se apaixona por alguém. Você nem sabe direito o que quer daquela situação.  Esse tal sentimento é simplesmente um desejo amorfo que é parte da sua vida e nada mais.

Mas do nada esse sentimento se tornou relevante alguns meses depois, quando um dia durante o recreio uma das garotas da sala começou a perguntar aos meninos, um por um: “Com quem vocêêê quer casar?” Quando ela me perguntou, não pensei duas vezes. “Alana.”

Eu ainda era um humano novato e não me dei conta de que a única resposta socialmente aceita fosse “Ninguém.”

No segundo em que respondi, essa garota odiosa correu na direção dos outros alunos, contando para cada um deles, “O Tim disse que ele quer casar com a Alana!” Cada pessoa que ouvia tapava a boca para conter gargalhadas incontroláveis. Fui liquidado. A minha vida acabou.

A notícia rapidamente chegou aos ouvidos da própria Alana, que passou a ficar o mais longe possível de mim por muitos dias depois daquilo. Se ela soubesse o que era um mandato de segurança, teria pedido um para me afastar.

Esta experiência horrível me ensinou uma lição de vida essencial – ser você mesmo pode ser um perigo mortal, e devemos exercer extrema cautela social o tempo todo.

Eu sei que parece coisa que só um estudante traumatizado do primário pensaria, mas o estranho, e tópico deste post, é que esta lição não se limita a mim e aos desastres da minha infância – esta é a paranoia que define a espécie humana. Nós compartilhamos de uma insanidade coletiva que permeia as culturas humanas no mundo todo:

Uma obsessão irracional e improdutiva com o que os outros pensam de nós.

A Evolução faz tudo por um motivo, e para entender a origem desta insanidade em particular, vamos voltar para o ano 50.000 a.C. na Etiópia, onde o seu Ta2000Taravô viveu como parte de uma pequena tribo.

Naqueles tempos, fazer parte de uma tribo era fator crítico para a sobrevivência. Uma tribo era sinônimo de alimento e proteção em uma época em que nenhuma das duas coisas eram fáceis de se obter. Então para o seu Ta2000Taravô, quase nada no mundo era tão importante quanto ser aceito pelos membros da sua tribo, principalmente aqueles membros em posições de autoridade. Ajustar-se àqueles ao seu redor e agradar àqueles acima dele dariam permissão para que permanecesse na tribo.  Um dos seus piores pesadelos seria se as pessoas em sua tribo começassem a fofocar que ele era um cara irritante, improdutivo ou esquisito – se um bom número de pessoas o desaprovassem, seu ranking na tribo cairia e, dependendo do ponto a que chegasse, ele poderia acabar sendo expulso e deixado à mercê da morte. Ele também sabia que se algum dia ele passasse pela vergonha de tentar conquistar uma garota da tribo e fosse rejeitado, ela contaria tudo para as outras garotas – além de acabar com qualquer chance que teria com a tal garota, ele agora também não teria chance com mais ninguém, já que todas as garotas da sua vida agora saberiam da sua tentativa medíocre e frustrada. Ser socialmente aceito era tudo.

Por este motivo, humanos desenvolveram uma obsessão exagerada com o que os outros pensam deles – uma ânsia por aprovação social e admiração, e um medo paralisante de ser rejeitado. Vamos chamar esta obsessão de Mamute de Sobrevivência Social de um ser humano. Ele é mais ou menos assim:

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O Mamute de Sobrevivência Social do seu Ta2000Taravô foi uma peça central para sua habilidade de conservar-se e prosperar. Era simples – mantenha o mamute bem alimentado com aprovação social e dê bastante atenção aos seus temores exagerados de não-aceitação e tudo vai dar certo.

Isso tudo soava bem lá pelos 50.000 a.C. E nos 30.000 a.C. E nos 10.000 a.C. Mas aconteceu uma coisa estranha com os seres humanos nos últimos 10.000 anos: a civilização mudou dramaticamente. A civilização tem esta habilidade de realizar mudanças rápidas e repentinas, o que é um inconveniente visto que nossa estrutura social e nossa biologia não conseguem se mover na mesma velocidade. Então pela maior parte da história, tanto nossa estrutura social quanto nossa biologia evoluíram e foram se ajustando a passinhos de lesma, a civilização desenvolveu a velocidade de uma égua enquanto a nossa biologia continuou a se arrastar como uma lesma.

Nossos corpos e mentes foram construídos para viver em uma tribo em 50.000 a.C., o que deixa o ser humano moderno com uma série de traços indesejados, um deles sendo esta fixação estilo tribal por sobrevivência social em um mundo onde a sobrevivência social não é mais um conceito pertinente. Estamos todos aqui em 2014 acompanhados de um mamute peludo, grande, faminto e facilmente assustado que pensa que ainda estamos em 50.000 a.C.

Ou por qual outro motivo você acha que experimenta quatro combinações diferentes e ainda fica sem ter certeza do que vestir para sair?

 

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Os pesadelos do mamute sobre rejeição romântica tornavam seus ancestrais cautelosos e habilidosos, mas no mundo de hoje isso só te faz passar por cagalhão:

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E nem pense em perguntar para o mamute sobre sua aversão a riscos artísticos:

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Esse medo avassalador de desaprovação social que o mamute sente atua em quase todas as áreas da vida de uma pessoa. É aquela coisa que te faz sentir estranho se for a um restaurante ou cinema sozinho; é o que faz seus pais se preocuparem um pouquinho demais sobre em qual universidade você irá estudar; é o que te faz deixar pra trás uma carreira que adora em favor de uma mais lucrativa, porém morna; é o que te faz casar antes de se sentir preparado, com uma pessoa que não ama.

Manter seu (altamente inseguro) Mamute de Sobrevivência Social calmo e seguro dá bastante trabalho, mas esta é apenas uma parte das suas responsabilidades. O mamute também precisa ser alimentado regularmente e em grandes quantidades – com elogios, aprovação e sentindo-se no lado correto de qualquer dicotomia social ou moral.

Ou por que outro motivo você seria um desses trouxas que usa o Facebook para manipular a própria imagem?

Ou por que você fica se exibindo quando sai com os amigos, mesmo que sempre se arrependa depois?

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A sociedade evoluiu para atender a esta ânsia que temos por manter o mamute alimentado inventando coisas como prêmios, títulos e o conceito de prestígio, tudo afim de manter o mamute satisfeito – e com frequência incentivando as pessoas a participar de coisas que de outra maneira não considerariam, como trabalhar em trabalhos que acham sem graça e viver vidas que acham sem sentido.

Acima de tudo, os mamutes querem ser aceitos – isso é o que os povos tribais sempre precisaram fazer, então é assim que eles estão programados. Os mamutes olham ao redor na sociedade para tentar entender o que se espera que eles façam, e quando isso se esclarece, eles abraçam a causa imediatamente. Dá uma olhada em quaisquer duas fotos de turmas de faculdade de décadas diferentes:

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Ou todas aquelas subculturas onde todas as pessoas têm uma das três únicas graduações socialmente aceitas:

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Às vezes o foco do mamute não é tanto na sociedade como um todo, mas em ganhar a aprovação do Mestre das Marionetes da sua vida. O Mestre das Marionetes é uma pessoa ou grupo de pessoas cuja opinião é tão importante para você que se torna uma parte essencial da sua vida. O Mestre das Marionetes muitas vezes é um dos pais, ou talvez o seu cônjuge, ou às vezes um membro alfa do seu grupo de amigos. O Mestre das Marionetes pode ser uma pessoa que você respeita ou mesmo alguém que não conheça muito bem – talvez até uma celebridade que você nunca conheceu – ou um grupo de pessoas que você admire.

Precisamos da aprovação do Mestre das Marionetes mais do que de qualquer outra pessoa, e nos horrorizamos só de imaginar o Mestre das Marionetes incomodado ou de sentir que não somos por ele aceito, ou que ele nos acha ridículos; faríamos qualquer coisa para evitar que isso aconteça. Quando chegamos a este estágio tóxico do nosso relacionamento com o Mestre das Marionetes, a presença desta pessoa paira sobre todo nosso processo de tomada de decisão, influenciando nossas opiniões e identidade moral.

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Com tanto pesar e energia dedicados às necessidades do mamute, muitas vezes você acaba negligenciando outra pessoa no seu cérebro, alguém que fica bem lá no meio – sua Voz Autêntica.

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Sua Voz Autêntica, que está lá em algum lugar, sabe tudo sobre você. Em contraste com a simplicidade preto-e-branco do Mamute de Sobrevivência Social, sua Voz Autêntica é complexa, muitas vezes preguiçosa, está em evolução constante, não sente medo. Sua VA tem seu código moral particular e repleto de nuances; código este formado pela experiência, reflexão e visão pessoal acerca de compaixão e integridade. Ela sabe como você se sente lá no fundo sobre coisas como dinheiro, família e casamento, e sabe que tipos de pessoa, tópicos de interesse e tipos de atividades você de fato gosta, e quais não.  Sua VA sabe que não sabe como sua vida vai ser ou deveria se desenvolver, mas normalmente tem um palpite forte sobre qual o próximo passo que você deveria dar.

E enquanto o mamute olha apenas para o mundo lá fora durante seu processo de tomada de decisões, sua Voz Autêntica usa o mundo lá fora para aprender e coletar informação, mas quando chega a hora da decisão, ela tem todas as ferramentas necessárias lá dentro do seu cérebro.

Sua VA é também uma pessoa que o mamute tende a ignorar por completo. Uma opinião forte de uma pessoa confiante no mundo lá fora? O mamute prestará atenção. Mas um argumento apresentado com entusiasmo pela sua VA é vigorosamente dispensado até que outras pessoas validem tal argumento.

E já que nossos cérebros de 50.000 anos foram programados para dar ao mamute grande poder de influência, sua Voz Autêntica começa a se achar irrelevante. Assim, ela acaba encolhendo, murchando e perdendo motivação.

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No fim das contas, uma pessoa que se deixa levar totalmente pelo mamute pode acabar perdendo contato por completo com sua AV.

Em épocas tribais, muitas VAs passavam toda vida em obscuridade silenciosa, e isso não era nada demais. A vida era simples, e o objetivo era a conformidade – e o mamute dava conta direitinho dessa história de conformidade.

Mas no gigante e complexo mundo atual com tantas culturas, personalidades, oportunidades e opções, perder contato com a sua VA é perigoso. Quando você não sabe quem você é, o único mecanismo de tomada de decisões que te resta são as necessidades e emoções cruas e ultrapassadas do mamute. Em se tratando dos seus questionamentos mais íntimos, ao invés de procurar nas profundezas do centro nebuloso de suas verdadeiras crenças para ver as coisas com clareza, você olha para os outros em busca de respostas. Você vira uma compilação das opiniões mais fortes ao seu redor.

Perder contato com sua VA te deixa frágil, pois sua identidade é construída com a aprovação dos outros, ser criticado ou rejeitado pelos outros dói mesmo.  Uma separação dolorosa é ruim para todo mundo, mas arde em um lugar ainda mais profundo para uma pessoa dominada pelo mamute do que para uma pessoa com uma VA forte. Uma VA forte forma um núcleo estável, e depois de uma separação, este núcleo permanece firme – mas como a aceitação dos outros é tudo que uma pessoa dominada pelo mamute tem, levar um fora de uma pessoa que a conhece bem é uma experiência muito mais avassaladora para este tipo.

Da mesma maneira, sabe aquelas pessoas que reagem a críticas revidando com um golpe baixo? Elas tendem a ser severamente dominadas pelo mamute, críticas as deixam malucas porque os mamutes não sabem lidar com críticas.

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Neste ponto, nossa missão é clara – temos que achar uma maneira de modificar as conexões do nosso cérebro e domar o mamute. Esta é a única maneira de retomar as rédeas das nossas vidas.

Parte 2: Domando o Mamute

 

 

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Para acompanhar os próximos posts em Português, siga Camila Santos Simmons e suas peripécias tradutóricas.

 

 

 

 

Parte 2: Domando o Mamute

Uma tradução do post originalmente publicado por Wait But Why aqui.

Leia a parte 1 em Português aqui.

Alguns nascem com um mamute razoavelmente manso ou foram criados por pais que ajudaram a manter o mamute em cheque. Outros morrem sem nunca ter domado o mamute, passando sua vida toda sob sua autoridade. A maioria de nós está no meio – controlamos nosso mamute em algumas áreas da nossa vida enquanto ele causa estragos em outras. Ser controlado pelo seu mamute não te faz ruim ou fraco – simplesmente significa que você ainda não descobriu como dominá-lo. Talvez você nem saiba que tem um mamute, ou do quanto sua Voz Autêntica foi silenciada.

Qualquer que seja a situação, são três passos para assumir o controle do seu mamute:

Primeiro Passo: Realize um Auto-Exame

Este primeiro passo rumo à melhora trata de uma avaliação clara e honesta de o que se passa na sua cabeça, e é composto de três partes:

1) Conheça sua Voz Autêntica

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Não parece difícil, mas é. Tem que se fazer uma reflexão séria para conseguir passar pelas teias dos conceitos e opiniões dos outros e descobrir quem é o seu verdadeiro eu. Você passa tempo com muitas pessoas – de quais delas você mais gosta? Como você passa seus momentos de lazer e você realmente gosta destes momentos? Tem alguma coisa na qual você regularmente gasta dinheiro mas não se sente bem com isso? Como que você se sente de verdade em relação ao seu trabalho e seu relacionamento? Qual é a sua verdadeira opinião política? E você sinceramente se importa com isso? Você finge se importar sobre certas coisas sobre as quais não se importa só para dizer que tem uma opinião? Você secretamente tem uma opinião sobre uma questão política ou moral sobre a qual nunca fala porque as pessoas que você conhece ficariam ultrajadas?

Há expressões clichés para este processo – “busca interior” ou “encontrar-se” – e é exatamente isso que precisa acontecer. Talvez você possa refletir sobre isso da cadeira em que está sentado agora ou a partir de outra parte da sua vida normal – ou talvez você precise ir para algum lugar longe, sozinho, sair da sua vida para examiná-la de modo eficiente. De um jeito ou de outro, você vai ter que descobrir o que tem importância para você de verdade e começar a se orgulhar de qualquer que seja sua Voz Autêntica.

2) Descubra onde o mamute se esconde

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A maioria das vezes que um mamute controla uma pessoa, a pessoa não se dá conta disso. Mas você não conseguirá fazer nenhum progresso sem enxergar com clareza as áreas mais problemáticas.

A maneira mais óbvia de encontrar o mamute é descobrir onde está o seu medo – em que área você se sente mais suscetível a sentir vergonha ou constrangimento? Que partes da sua vida um terrível sentimento de derrota toma conta de você quando você pensa a respeito? Em que áreas a ideia de que possa falhar é um pesadelo? Que coisas você é muito tímido para fazer em público mesmo sabendo que é bom naquilo? Se você fosse dar um conselho a si mesmo, que partes da sua vida sem dúvida precisariam mudar mas no momento você evita fazer algo a respeito?

O segundo lugar onde um mamute se esconde é naquela sensação exageradamente boa que sentimos quando somos aceitos ou estamos em um pedestal acima das outras pessoas. Você é do tipo que quer agradar a todos no trabalho ou em um relacionamento? Você tem medo de desapontar seus pais e prefere deixá-los orgulhosos antes de gratificar a si mesmo? Você tem prazer em estar associado a coisas de prestígio ou se importa um pouco demais com status? Você se exibe mais do que devia?

A terceira área na qual o mamute se faz presente é onde você não se sente à vontade para tomar uma decisão sem “permissão” ou aprovação dos outros. Você tem opiniões que está regurgitando da boca de outra pessoa, as quais se sente confortável em expressar agora que esta outra pessoa verbalizou esta opinião? Quando você apresenta sua nova namorada ou namorado para seus amigos ou família, a reação deles pode afetar seus sentimentos por ele/ela? Tem um Mestre das Marionetes na sua vida? Se sim, quem é, e por quê?

3) Decida se está na hora de catapultar o mamute

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Não é um projeto realista pensar que você vai tirar o mamute por completo da sua cabeça – você é humano e humanos tem mamutes na cabeça, ponto final. O que todo mundo precisa fazer é remover certas áreas sagradas de nossas vidas que tem que ficar nas mãos da VA e livre da influência do mamute. Existem áreas que obviamente precisam fazer parte do domínio da VA como escolha do parceiro para a vida, carreira e maneira de educar os filhos. Outras são pessoais – depende da resposta à questão, “Em que partes da sua vida você precisa ser inteiramente fiel a si mesmo?”

Segundo Passo: Crie Coragem Internalizando que o Mamute Tem QI Baixo

Mamutes Peludos de Verdade eram tão inexpressivos que foram extintos, e o Mamute de Sobrevivência Social não é nada melhor. Apesar dos mamutes nos assombrarem, nossos mamutes são criaturas burras e primitivas que não possuem nenhum conhecimento do mundo moderno. Entender isto – e internalizar isto – é uma peça-chave rumo a domar o seu. Existem dois grandes motivos para não se levar o mamute a sério

1) Os medos do mamute são completamente irracionais.

5 coisas sobre as quais os mamutes estão errado

  • Todo mundo está falando de mim e da minha vida, então imagina o quanto irão falar se eu fizer essa tal coisa arriscada ou esquisita.

É assim que o mamute pensa que as coisas são:

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É assim que as coisas são na realidade:

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Ninguém dá tanta bola assim para o que você faz. As pessoas estão muito mais interessadas em si mesmas.

  • Se eu tentar de verdade, conseguirei agradar a todo mundo.

Sim, talvez em uma tribo de 40 membros com uma cultura unificada. Mas no mundo de hoje, não interessa quem você é, um monte de gente vai gostar de você e um monte de gente não. Ser aprovado por um tipo de gente significa afastar-se de outros tipos gente. A obsessão por querer ajustar-se a todos os grupos é ilógica, principalmente se este grupo não for como você. Você terá todo esse trabalho e, enquanto isso, os seus tipos preferidos de verdade estarão em por aí fazendo amizade uns com os outros.

  • Ser desaprovado, desdenhado ou mal falado são coisas com consequências reais na minha vida.

Quem desaprova o seu jeito de ser ou o que você faz não está na mesma sala contigo 99,7% do tempo. É um erro clássico de mamutes fabricar uma visão sobre futuras consequências sociais que é bem pior do que acaba realmente acontecendo – normalmente nada.

  • As ideias de pessoas muito críticas importam.

Pessoas muito críticas funcionam assim: elas são altamente controladas pelo mamute, se tornam bons amigos e namoram outras pessoas super críticas altamente controladas pelo mamute. Uma das atividades primárias que eles fazem juntos é falar mal de quem quer que não estiver com eles – talvez eles sintam ciúmes e deem um rolar de olhos em desaprovação na tentativa de a inverter o script e sentir menos ciúmes, ou talvez eles não estejam com ciúmes e usem alguém como veículo para banhar-se em schadenfreude – mas qualquer que seja o sentimento implícito, as críticas servem para alimentar seus mamutes famintos.

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Quando as pessoas falam mal dos outros, elas inventam estas divisões de categorias nas quais eles sempre estão no lado certo. Elas fazem isso para colocar a si mesmos em um pedestal do qual seus mamutes possam tirar umas dentadas.

Ser o objeto que faz uma pessoa super crítica se sentir bem consigo mesmo é um tanto indignante – mas isso não tem consequências reais e fica claro que a situação é muito mais sobre a pessoa crítica e seu problema com o mamute do que sobre você. Se você se pegar tomando decisões baseadas em não ficar mal falado por uma pessoa super crítica, pense bastante sobre o que está acontecendo e pare.

  • Sou uma pessoa má se eu desapontar ou ofender a pessoa/as pessoas que me amam e que investiram tanto em mim.

Não. Você não é uma pessoa má por ser quem a sua Voz Autêntica é. É simples – se eles te amam altruisticamente, eles acabarão mudando de opinião e aceitarão tudo quando perceberem que você está feliz assim. Se você está feliz e ainda assim eles não mudam de opinião, vai acontecer isso: a sensação deles de que sabem quem você deveria ser ou o que você deveria fazer é a voz dos seus próprios mamutes, e a grande motivação deles é a preocupação sobre “que cara” isso vai ter perante as pessoas que eles conhecem. Se eles permitem que seus mamutes sejam maiores do que o amor que sentem por você, devem ser ignorados com vigor.

Outros dois motivos pelos quais essa obsessão por aprovação social do mamute não faz sentido:

A) Você vive aqui:

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Então quem se importa com qualquer coisa?

B) Você e todo mundo que você conhece morrerão. Meio que em breve.

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Então, tipo…

O mamute tem um QI baixo por causa de seus temores irracionais. Eis o segundo:

2) Os esforços do mamute são contra produtivos.

A ironia da coisa toda é que esse mamute desajeitado obsessivo não faz nem seu próprio trabalho bem feito. Seus métodos para conquistar aprovação talvez tenham sido eficientes em épocas mais simples, mas hoje em dia, eles são transparentes e brochantes. O mundo moderno é um mundo da VA, e se o mamute quiser vencer socialmente, ele tem que fazer aquilo que mais lhe assusta – deixar a VA assumir o comando. Eis o porquê:

VAs são interessantes, mamutes são chatos. Toda VA é única e complexa, o que é algo inerentemente interessante. Mamutes são todos iguais – eles copiam e entram em conformidade, e seus motivos não se baseiam em nada autêntico ou real, apenas em fazer o que acham que devem fazer. Isto é chato ao extremo.

VAs lideram. Mamutes seguem. Liderança é algo natural para a maioria das VAs, pois elas expressam suas ideias e opiniões de um ponto de vista original, o que os confere um ângulo original. Se elas forem espertas e inovadoras o suficiente, elas podem mudar as coisas no mundo e inventar coisas de abalam o status quo. Se alguém pega um pincel e uma tela branca, talvez não pinte uma coisa bonita – mas de alguma maneira mudará a tela.

Mamutes, por outro lado, seguem – por definição. Eles são criados para isso – para se enturmar e seguir um líder. A última coisa que um mamute faria seria mudar o status quo, pois ele se esforça bastante para ser o status quo. Se alguém pega um pincel e uma tela, mas a tinta é da mesma cor da dela, pode pintar o quanto quiser, não mudará nada.

As pessoas gravitam ao redor de VAs, não de mamutes. A única chance de uma pessoa tomada pelo mamute ser interessante em um primeiro encontro é quando o encontro for com outra pessoa tomada por um mamute. Pessoas com uma VA forte não se deixam enganar por essas pessoas controladas por mamutes e nem se sentem atraídas por elas. Uma amiga minha estava namorando um cara que teoricamente era interessante, mas acabou com ele porque não conseguia se apaixonar por ele. Ela tentava explicar por quê, pois ele não era estranho ou especial o suficiente – ele era só “mais um cara”. Em outras palavras, ele estava sendo muito governado por um mamute.

Isso também acontece entre amigos e colegas, pessoas governadas por suas VAs são mais respeitadas e magnéticas – não porque necessariamente haja algo extraordinário sobre essas pessoas, mas porque as pessoas respeitam alguém com uma personalidade forte capaz de domar seu mamute.

Terceiro Passo: Comece a Ser Você Mesmo

Este post era só entretenimento até que falou em “começar a ser você mesmo”. Até agora, esta foi uma reflexão interessante sobre por que humanos dão tanta bola para o que os outros pensam, por que isso é ruim, por que isso é um problema na sua vida e por que não existe um bom motivo para que isso continue te abalando. Mas realmente fazer algo depois que terminar de ler este artigo, daí já é outra história. Pra isso é necessário mais do que uma reflexão – pra isso é necessário ter coragem.

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Mas coragem pra quê, exatamente? Como discutimos, não há perigo real envolvido em ser você mesmo – mais do que qualquer coisa, basta uma epifania ao estilo A Roupa do Imperador, simples assim:

Quase nada que te assusta socialmente é de fato assustador.

Absorver este raciocínio diminuirá o medo que você sente e, sem medo, o mamute perderá poder.35medium-mammoth1

 

Com um mamute enfraquecido, é possível começar a defender quem você é e fazer algumas mudanças audaciosas – e quando você perceber que estas mudanças deram certo com algumas poucas consequências negativas e nenhum arrependimento, a epifania se confirmará e uma VA poderosa se tornará um hábito. Seu mamute agora perdeu a capacidade de coordenar a situação, está domado.

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7 Maneiras de Ser Insuportável no Facebook

Uma tradução do post originalmente publicado por Wait But Why aqui.

Lembro como se fosse ontem. Dia de Ano Novo, 2014. Estava tendo uma tarde agradável, até que abro o email de um amigo compartilhando um post horroroso publicado no Facebook por alguém que chamaremos de Daniel.

O tal post dizia:

2013 foi um baita ano para mim. Larguei um trabalho maravilhoso na Globo para me mudar para Floripa. Comecei a namorar com meu anjo, Julia Bastos. Comecei a fazer ioga (obrigada Luis Fisher e Jonas Muller!). Compus um álbum com Mateus Johanson. Escrevi um segundo álbum do qual me orgulho. Convivi com Cauã Raymond e trabalhei com Marcelo Adnet num projeto maravilhoso. Tive uma conversa sobre política com William Bonner. Dancei. Entrei para um clube de rugby. Ganhei alguns prêmios. Ajudei minha irmã a planejar sua viagem de verão. Nadei bastante. Joguei um pouco de golf. Chorei mais do que você imagina. Li “O Mundo de Acordo com Garp”. Assisti ao “Apocalipse Now”. Fui para Miami assistir às finais de NBA. Tomei o melhor suco de laranja da minha vida com Lucas Oliveira. Entrei no Tweeter. Fui a casamentos maravilhosos no interior. Bebi quantidades absurdas de leite. Aprendi a fazer esculturas de areia. Assisti a um show de luzes incrível. Vi os Angels e o Lakers. Me apaixonei por Jawbone Up. Cozinhei com a Julia. Fiz jardinagem com a Julia. Assisti A Grande Familia com a Julia. Lutei com a Julia. Ri por horas com a Julia. Me apaixonei pela família da Julia. Trabalhei numa peça. Joguei World of Warcraft. Fiz improvisação. Toquei muita guitarra. Simplesmente tive um ano inexplicável, afudê. Que mundo.  

Quando terminei de ler, foi que me dei conta de que minha mão que não segurava o telefone apertava a minha testa, amassando a pele com força. Minha expressão facial era de quem foi forçado a assistir um evento no qual as pessoas têm sua pele arrancada devagarinho. Era tudo de ruim sobre tudo, num só lugar. Mas ao invés de distanciar-me do horror, me deixei absorver por ele. Li de novo e de novo, fascinado pela gritante falta de qualquer atrativo naquilo. Aquilo me fez pensar sobre o que faz comportamento ruim no Facebook, ser de fato ruim e por que certos comportamentos no Facebook não são irritantes.

No fim das contas a regra é bem simples:

Um status no Facebook é irritante se servir primariamente ao próprio autor e não fizer nada de positivo pelo leitor.  

 

Para examinarmos a questão, vamos começar discutindo as características de um status não-irritante.

Para ser não-irritante, um status do Facebook precisa conter uma destas coisas:

1 – Ser interessante/informativo;

2 – Ser engraçado/inusitado ou entreter.

Sabe por quê eles são não-irritantes? Porque coisas nestas duas categorias fazem algo para mim, o leitor. Eles tornam meu dia um pouquinho melhor. Em uma situação ideal, status interessantes seriam fascinantes e originais (ou um link a algo que seja), e status engraçados seriam hilários. Mas até um interessantinho já me serve – ao menos ainda se trata de post de gente boa tentando agradar.

Por outro lado, status irritantes tipicamente fedem a uma destas cinco motivações:

1 – Formação de Imagem. O autor quer manipular a maneira que os outros lhe enxergam.

2 – Narcisismo. As visões, opiniões e filosofias de vida do autor importam. O autor e a vida do autor são interessantes.

3 – Necessidade de atenção. O autor quer atenção.

4 – Provocar Ciúmes. O autor quer que outros tenham ciúmes dele ou da vida que ele leva.

5 – Solidão. O autor se sente sozinho e quer que o Facebook resolva este problema. Este é o menos odioso dos cinco – mas assistir a uma pessoa solitária bancando a solitária no Facebook deixa a mim e todo o resto do mundo chateados. Então esta pessoa está na verdade espalhando a sua tristeza, e não é legal fazer isso, por isso o assunto está nesta lista.

O Facebook está infestado destas cinco motivações – com exceção de alguns santos por aí, a maioria das pessoas, nas quais definitivamente me incluo, são culpadas de pelo menos uma destas faltas de bom-senso de vez em quando. É uma epidemia.

Para explicar os tipos de ofensa mais comuns –

7 MANEIRAS DE SER INSUPORTÁVEL NO FACEBOOK

1) O Exibido  Exibicionismo é um comportamento chato tão comum no Facebook que precisamos subdividir em três categorias:

1a) O exibido do tipo “Ô, vidão…”     Descrição: um post que faz sua vida parecer ótima no sentido macro (consegui meu emprego dos sonhos, me formei, amo meu apartamento novo) ou micro (começando uma viagem incrível, vou ter um findi daqueles, saindo para uma noitada com os amigos, que dia lindo que eu tive).

Exemplos:  

– Adivinha quem passou no vestibular?

– Tô no Rio!

– Entrando de VIP no jogão na Arena, seguido de noitada com os amigos. Sábado, seu lindo!

Principais motivos para postar: Formação de Imagem (sou bem-sucedido, sou feliz, tenho uma ótima vida social), Provocar Ciúmes.

Então na melhor das hipóteses, você está muito empolgado com a própria vida e precisa dizer isso para todo mundo, e na pior das hipóteses você tem esperança de fazer com que outros se sintam piores sobre suas vidas e com ciúmes da sua. Em algum lugar no meio disso está você calculando cada palavra como parte de uma campanha antipática e transparente para fazer com que as pessoas lhe vejam de uma determinada maneira.

Vou te dar o benefício da dúvida e supor que você esteja apenas super animado e precise se exibir. Mesmo que seja este o caso, as únicas pessoas para quem está ok se exibir são seus amigos íntimos, parceiros e família – e é para isso que servem emails, sms, ligações telefônicas e conversas ao vivo.

Seu momento de satisfação pessoal é profundamente irritante para pessoas de quem você não é próximo, e estas pessoas são a maioria esmagadora de pessoas sujeitas ao seu status no Facebook.

1b) O Exibido Disfarçado   Descrição: como o exibido declarado, porém com um delicado disfarce. São os humildes exibidos, exibicionistas indiretos, ou articuladores de um exibicionismo disfarçado de desabafo, etc.

Exemplos:  

– Sei que vão me acusar de roubar o diploma, mas pelo jeito bebuns como eu também conseguem um PhD!

– Estarei viajando no verão, me avisem se souberem de alguém que se interesse em sublocar meu apê na Tijuca.

– Voltando do trabalho levei duas assoviadas, duas buzinadas e um carro quase causou um acidente andando devagarzinho pra poder olhar pra mim. Às vezes eu odeio os homens!

Principais motivos para postar: Formação de Imagem, Provocar Ciúmes.   Por um lado, estas pessoas tem a decência de cobrir seu exibicionismo com algo. Por outro, eles têm exatamente as mesmas motivações dos exibidos declarados, de tal maneira que estes exemplos tornam o primeiro grupo quase simpáticos em comparação.

1c) O Exibido tipo “Estou em um ótimo relacionamento”    

Descrição: expressão pública dos seus sentimentos extremamente positivos pelo seu parceiro ou a descrição de algum fato que simbolize a perfeição do seu relacionamento.

Exemplos: 

– Uma viagem surpresa para Gramado. Meu namorado é perfeito!

– Obrigada, Raquel, pelo melhor ano da minha vida. Te amo, amor.

– Curtindo um lindo domingo de chuva com a esposa com pizza, jogos e filmes.

Principais motivos para postar: Formação de Imagem (para seu governo, eu tenho um namorado, estou em um relacionamento maravilhoso), Provocar Ciúmes.   Os motivos por trás da Formação de Imagem e Provocar Ciúmes são nítidos. A única possibilidade nem-tão-horrível-assim seria de que esta seja uma tentativa de reforçar o relacionamento mostrando como você se sente de uma maneira mais substancial do que simplesmente no particular.

Sério? Você vai arrastar outras 800 face-pessoas nessa merda porque você não conseguiu pensar uma maneira mais criativa de extravasar a expressão dos seus sentimentos?   Há a possibilidade engraçada de, no caso de ser um cara postando, que ele esteja fazendo isso ou porque está em apuros por algo que aprontou ou que o namorado-da-amiga-da-amorada tenha usado essa tática para fazer as pazes e que agora sua namorada esteja apenas 10% braba, e agora então não custa tentar também.

A verdade é que, não tem desculpa, se você sente a necessidade de pintar o seu relacionamento por todo Facebook, há maneiras mais socialmente aceitas – coloque sua foto de perfil com seu par; goze três momentos separados de um turbilhão “curtidas” e aplauso-comentários ao mudar seu status para “em um relacionamento”, depois para “noivo” e finalmente “casado”.

2) O Gancho Misterioso  

 

Descrição: um post que deixa claro que algo bom ou ruim está acontecendo na sua vida, sem revelar os detalhes.

Exemplos:

– Chega. Não quero mais saber de homem.

– Hoje o dia promete…

– Momentos como esse fazem todo o esforço e dor valerem à pena.

– Ai ai ai…

Principal motivo para postar: Necessidade de Atenção   A parte legal é ficar observando os inevitáveis comentários e como o autor responde, se é que responde.

Este processo divide os autores em quatro sub-categorias:

– A celebridade: o autor se mantém em silêncio, tratando os criadores dos comentários como sua legião de fãs.

– A namorada exigente de 800 face-pessoas: o autor explica tudo nos comentários, o que significa que ele que iria de fato falar publicamente sobre o assunto, mas ele não queria simplesmente contar ao público, ele queria que o público lhe perguntasse a respeito.

– O protagonista torturado: é algo ruim. O autor responde mas mantém o mistério – ela está infeliz mas não está afim de “falar sobre isso agora”.

–  A princezinha especial de todos nós: é algo bom. O autor responde mas mantém o mistério – é algo muito bom mas ele “não pode falar nada ainda, mas em breve vocês saberão!” Agora você, face-amigo, pode dar aquele pulinho extra enquanto espera pelas boas novas, quase perdendo o fôlego! Este é um tipo especial porque também deixa aflorar o Narcisismo, Provocar Ciúmes e Formação de Imagem. Que pessoa divertida para ter na sua vida!

3) A Atualização de Status Literal  

Descrição: uma atualização de status sobre a rotina da pessoa.

Exemplos:

– Treino seguido de leitura.

– Bolinhos!

– Finalmente terminei meu trabalho!

Principais motivos para postar: Solidão, Narcisismo; pensar que “atualização de status” realmente tem que ser uma atualização de status.

Deixe-me demonstrar visualmente –

“Finalmente terminei meu trabalho!” Certo…e daí? O que você procura com isso?  Parabenizações fake de um bando de gente que não se sente emocionalmente ligada à sua luta? Terminar seu trabalho é parte do território verde no quadro acima, ou se você trabalhou nele por alguns meses talvez permeie as bordas do laranja. Para 90% das pessoas que leem seu status, não chega nem perto do território vermelho, a parte que realmente interessa a eles.

Treino seguido de leitura. Ah, então estes são os planos de hoje à noite? Pra quem exatamente você está contando isso? Agora vou a fundo nessa questão. Em algum momento entre a saída do trabalho e a chegada na academia, você teve um impulso de pegar seu telefone e escrever este status. Largue esse telefone e me explica o que foi que você alcançou com isso. Estamos falando de um território totalmente azul aqui, algo que não interessa nem à sua mãe. Muitos status irritantes passam longe do território vermelho, mas todos tem alguma serventia ao próprio autor, e por isso ainda assim são postados. A outra explicação possível é a presença de narcisismo severo, como se de alguma maneira, já que você é você, até mesmo os menores detalhes da vida sejam interessantes para os outros.

Uma parte estranha da vida de uma grande celebridade é que as pessoas se tornam obcecadas com tudo que lhes ronda, até mesmo as questões de território azul. Se você não é uma grande celebridade, este não é um problema que você vai ter, juro.

4) A Mensagem Privada Inexplicavelmente Pública    

Descrição: um post público de uma pessoa para outra que não tem motivo nenhum para ser público, mas é.

Exemplos:

– Saudades! Quando é que a gente vai dar uma banda?

– Que findi mara com a Simone Rocha e a Lilian Silva. Amo vcs!

– Todo tipo de piada interna.

Principais motivos para postagem: Formação de Imagem, Provocar Ciúmes, Narcisismo, ou você tem mais de 80 anos e não se deu conta de que há uma diferença entre mensagens públicas e privadas.   Tirando minha avó, não há nenhum bom motivo que justifique isso. Bom é a palavra-chave aqui. Há inúmeros motivos irritantes para fazer isso.

Vamos a eles:

– Fazer você parecer cool, sociável e com uma vida social divertida e interessante;

– Para mostrar aos outros o quanto você e o destinatário são bons amigos;

– Para que os outros sintam ciúmes e se sintam mal sobre as vidas sem graça que levam;

– Porque você gosta de agir como se estivesse no colégio e fosse uma das garotas populares, das quais a vida social, na verdade, é uma coisa importante para o resto das pessoas. Uma possibilidade que me agrada é a de que a mensagem seja escrita com o intuito de induzir ciúmes de uma pessoa específica que provavelmente verá a mensagem por tabela, sendo este um ex ou um amigo que o postador e o amigo citado odeiem. Esse tipo de maquiavelismo é tão extremo que cruza a última fronteira e acaba se tornando uma coisa que me agrada.

5) O Discurso de Aceitação do Oscar Vindo do Nada

 

Descrição: uma rasgação de seda por nenhum motivo específico e sem um destinatário específico.

Exemplo: Eu só queria dizer o quanto eu sou grata por todas as pessoas que tocaram minha vida de alguma maneira. O apoio de vocês é tudo pra mim e eu não teria conseguido vencer na vida se não fosse todo seu carinho!  

Principais motivos para postagem: Necessidade de Atenção   Me recuso a acreditar que você esteja sentindo esse amor verdadeiro por 800 face-amigos. E se você realmente estivesse sentindo esta vontade súbita de demonstrar seu amor por seus melhores amigos e família, será que um status público é a melhor maneira de fazê-lo? Será que mandar um texto ou email para alguns deles não é um pouco mais pessoal e verdadeiro? Não interessa, pois isso não está acontecendo. O que está acontecendo se resume a, “Gente! Eu estou aqui! Me abracem!” Você conhece a resposta inevitável a este tipo de status, não interessa quem você é, você receberá várias curtidas-abraços e curtidas-tapinhas-nas-costas. Isso não é um pouco carente da sua parte? Você não está amando quando escreve um post desses, está sentindo é que precisa se sentir amado.

O único momento em que isso é mais ou menos aceitável é quando é parte de um enorme abraço coletivo, por exemplo no Natal ou Ano Novo. Se você abrir seu Facebook no Natal, verá centenas de Discursos de Aceitação do Oscar Vindos do Nada. (e se te interessa saber: esse é outro tipo de post que eu também não me importaria de ficar sem.)

6) A Opinião Óbvia Demais  

 

Descrição: quando um grande evento ocorre, vem sempre um post fedendo àquela opinião que você já ouviu 1000 vezes.

Exemplos:

– Sinto muito pela situação em Israel. Todos tem direito à felicidade e rezo para que eles consigam a sua.

– Rezo pelas pessoas da Malásia depois dessa tragédia imensa. Não consigo expressar em palavras como lastimo por aquelas vidas inocentes perdidas.

– Sinto-me um pouco frustrada com a situação política do Brasil, mas vamos lá, agora o jeito é correr atrás do prejuízo da Copa e votar consciente!

Principais motivos para postar: Narcisismo, Formação de Imagem (sou do tipo de gente que tem certas opiniões ou reações, sou esperto e capaz de dizer coisas adultas).

Estes status irritam porque A) você não está dizendo nada remotamente original ou interessante sobre um evento que a mídia já saturou, cobrindo todos os ângulos possíveis e B) você está fazendo um evento enorme e trágico ser algo um pouco sobre você. A tristeza que você sente pelos mortos não é uma peça-chave do quebra-cabeça aqui, você precisa nos explicar o evento através de suas lentes pessoais, mesmo que suas lentes sejam apenas vidro transparente – se eu quiser uma dose de narcisismo para acompanhar a tal tragédia, pode deixar que eu simplesmente leio os tweets das celebridades sobre o evento.

7) Um Passo Em Direção à Luz    

Descrição: pérolas da sabedoria não requisitadas.

Exemplos:

– “A paz vem de si. Não a procure sem.” ~Buddha

– Confie no Senhor de todo o seu coração e não se apoie em seu próprio entendimento; reconheça o Senhor em todos os seus caminhos e ele tornará seu caminho o correto. ~Provérbios 3:5-6

Principais motivos para postar: Formação de Imagem, Narcisismo.   Ah…por onde começar.   Primeiramente, vamos esclarecer que não há nenhuma humildade em posts do tipo Um Passo em Direção à Luz só porque são uma citação – a mensagem condescendente óbvia aqui é, “Ahh olá face-amigos. Eu sei o segredo da vida – deixe-me ensinar-lhes para que um dia você também possa atingir a Luz.”

Em segundo lugar – quer saber o que inspira as pessoas? Quando você realiza algo incrível e permite que este exemplo inspire a outros. Para que suas palavras por si só inspirem alguém, você tem que ter o dom da palavra ou ser um escritor que de fato tenha algo original para dizer – e nós sabemos que esse cara não é você.

Considerar-se um cara inspirador simplesmente por postar citações banais é, bem, narcisista de modo alarmante. É como se dissesse que você, sendo simplesmente você, é uma pessoa inspiradora. Em terceiro lugar, vamos ao verdadeiro motivo destes status – Formação de Imagem. Você quer que os outros saibam o quão sábio você é e que admirem a sua jornada espiritual.

***

O post do nosso amigo Daniel lá no começo foi um feito raro – em um mero parágrafo, ele conseguiu esmigalhar minha alma, exemplificando quase todos os tipos de status e motivações discutidos acima. Acontece que, olhando logo abaixo daquele status dele, só se encontravam “curtidas” e alguns comentários simpáticos. E é por isso que o comportamento insuportável no Facebook jamais morrerá – não existe botão “não curtir” ou “revirar os olhos” ou “dar um dedo” no Facebook, e é deselegante responder nos comentários batendo de frente com o status inicial.

Desta forma, comentários irritantes são estimulados e as pessoas permanecem ignorantes do fato de que estão constantemente baixando o nível de qualidade de vida das pessoas ao seu redor. O ponto-chave aqui é que as qualidades nestes status irritantes são na verdade meras qualidades humanas – todo mundo precisa se exibir de vez em quando, todo mundo tem momentos de fraqueza quando precisam de atenção ou se sentem sozinhos, e todo mundo tem algumas características bizarras que volta e meia virão à tona.

E é por isso que tem gente que ainda assim te ama.   O que o Daniel e a maioria das pessoas não internalizaram é que eles têm 800 amigos no Facebook, mas só uns 10 ou 15 amam ele. Para uma pessoa demasiadamente amável, talvez esse número chegue a uns 30. Entre 1 e 4%.

Isso significa que entre 96 e 99% dos seus amigos do Facebook NÃO TE AMAM.  

Pessoas que não te amam não dão bola pra você, sua rotina ou sua vida, provavelmente não te apoiam, e certamente não querem ter nada que ver com suas piores características. Fazer algo que tenha serventia somente aos seus motivos egoístas não deveria aparecer agora na tela destas outras pessoas – sinceramente, não deveria.

Tá, tenho que ir. Academia, jantar, casa e cama pra mim.

 

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A Copa e o Amor

Gente, li esta pérola entitulada “Encanto por gringos é sintoma da grama do vizinho” (veja matéria completa aqui) explicando o por quê do sucesso da gringaiada que andou por nossas terras no quesito namoro.

A matéria reforça  a ideia de que brasileiro gosta de coisas de fora simplesmente porque são de fora e que brasileirAs vêem no gringo isto, uma suposta qualidade superior. Em outras palavras, pegam gringo por pegar, só porque são gringo devem ser melhores, coisa e tal.

Os comentários naquela matéria e facebook afora reforçam que o público (brasileiro) em geral concorda que as brasileiras são umas putinhas maria-passaporte mesmo.

Fui obrigada a comentar também; ainda não publicaram meu comentário lá no terra e não sei se vão, então resolvi copiar+colar meu comentário aqui porque tenho uma opinião, digamos, diferente sobre o assunto. (nota: para entender meu lado, talvez seja melhor primeiro ler a tal matéria).

 

MEU COMENTÁRIO:

Então vou dizer por quê elas andam achando a grama do vizinho mais verde:

– Homem brasileiro se vangloria do poligamismo, e mais:

– Acha ridículo um cara ser monogâmico, este coitado vira motivo de chacota;

– Acha que aparência está em primeiríssimo lugar, e não falo apenas apenas de relações amorosas hein?!!?

– Etiqueta do brasileirinho na balada: primeiro pega na mão, depois persegue pelos corredores, tenta roubar beijo, chama de gostosa. Por último, bem por último, se der tempo, pergunta o nome.

– Têm dificuldades de aceitar a divisão igual de tarefas do lar e pior, de ter chefe mulher no trabalho.

– Tem uma sensualidade à flor da pele que às vezes irrita, uma necessidade de estar sempre mostrando o peito, forçando os músculos do braço.

– Não consegue entender que também mulher também gosta de pegar, que mulher também gosta de sexo casual. Ah, e mulher também às vezes prefere “amigos coloridos”, para os quais pode ligar no meio da semana para um jantar/conversa/sexo e tchau. Eles morrem de medo de se aproximar demais de uma mulher porque acham que todas elas vão querer casar/ter filhos depois do terceiro encontro.

– Como parceiro, é controlador, ciumento, machista. “Mulher minha não tem amigo homem” quando não é dito, é subentendido.

– Tem uma necessidade de conquistar todas as colegas de trabalho, faculdade, etc, com um fim em si mesmo, ou seja, não está a caça da nova namorada, apenas de um bom posicionamento no ranking junto aos colegas homens.

– Gosta de sair com os amigos mas não tolera que a mulher faça o mesmo. Para balancear, mentem muito.

– Acha legítimo ficar falando sobre a namorada boazuda de um dos amigos e inclusive se esfregar nela como gato no cio na ausência daquele seu grande amigo.

Sim, sei que estou generalizando E que a mulher é tão culpada quanto o homem por deixar perpetuar este tipo de comportamento. Pode ser que esteja comprando briga feia com alguns amigos meus que talvez leiam este meu comentário, mas arrisco dizer que a maioria vai ler e se identificar com muito do que eu digo aqui!

Porém, ao viajar e morar em outros países, constatei que tudo isso é tristemente justificado pela “latinidade” e que não se precisa ir muito longe para achar um tipo de comportamento bem diferente desse. Inclusive o próprio homem brasileiro que viaja, mora fora, esse normalmente já consegue fugir um pouco deste estigma, transformando-se em um formato mais palatável, um brasileiro tipo exportação…

Sim amigos, existem trogloditas em qualquer parte do mundo, é verdade. Em qualquer lugar do mundo tem que procurar bem para achar o par certo, e se ilude a coitada que for atrás de “marido gringo” como cartão para a felicidade. Mas enquanto o homem brasileiro teimar com seu jeito latino-machão-tosco em não entender esta lei de oferta e demanda, é ele que vai ficar assistindo com dor de cotovelo a mulher se deslumbrar com coisa melhor por aí.

 

Tensão Pré-corrida de Taxi

Por que será que pegar taxi em um lugar desconhecido sempre gera um desconforto, um medo de ser passado para trás? Pode ser em Porto Alegre ou Kota Kinabalu, o turista sempre fica com receio, pois as histórias de horror se multiplicam.

Parece que nossa cidade se deu conta de que estamos sujeitos a esse tipo de situação durante o Mundial de Atletismo de 2013, quando alguns turistas infelizmente viraram manchete graças à ganância de alguns motoristas.

A mim também entristece que espertalhões tentem tirar vantagem de turistas que, por não conhecerem a cidade ou nossa língua, ficam à mercê da (falta de) honestidade de outrem.

Acontece que muitos não se dão conta que esta é uma prática mundial. Sei que tem muito profissional honesto, mas  graças aos oportunistas de plantão os taxistas têm uma má reputação em quase qualquer lugar. Alguns incidentes ocorridos com o pessoal aqui de casa:

– Minha tia foi visitar meu irmão no Rio de Janeiro e pagou $120 por uma corrida que normalmente custa $50. Nas subsequentes visitas que meu irmão recebeu, ele resolveu que iria até o aeroporto (ele não tem carro) buscar turistas inexperientes e assim lidar ele mesmo com os taxistas.

– Quando cheguei no aeroporto de Roma, um cara me atacou já na retirada das malas na esteira mesmo, trancou minhas malas em seu carro e começou a negociar o valor da corrida sob meus protestos. Só depois de muito bate-boca em uma língua que desconheço, na base de muito gesto foi que saí ilesa e sem pagar o “resgate” das malas. Em Bali passei por um sufoco parecido, mas já sabendo desses truques, quando percebi que alguém estava  tentando pegar a mala da minha mão fiz sinal para os seguranças do aeroporto.

– Em Melbourne, taxistas não gostam de fazer nem corrida muito longa nem muito curta. Por questões de segurança eu já quis fazer corrida curta,  porém tive que pagar uma boa gorjeta para que aceitassem me levar.

– Na Jamaica, aprendi rapidinho que antes de entrar no taxi era melhor fazer uma tomada de preços com pelo menos três profissionais. Eles adoram perguntar “quanto você quer pagar?” – então vale à pena perguntar para os locais qual o valor justo antes de ir falar com os motoristas. Com estas simples medidas, a economia chegou a mais de 50% na maioria dos casos.

– Em Cuba, a dona da hospedagem onde ficamos sempre nos falava quanto sairia a corrida, e nos instruiu a sempre procurarmos por taxistas longe de pontos turísticos para pagarmos um preço “justo”.

Tenho várias histórias dessas, mas elas são todas muito parecidas, apenas mudam de endereço. Felizmente saí (quase) ilesa de (quase) todas elas. O que fez a diferença sempre foi a busca de informações e experiência.  Se você não tem a experiência, procure quem tenha, pergunte no hotel quanto deve sair a corrida e qual a melhor rota.

Lamentavelmente, não é só em Porto Alegre que taxista tenta tirar vantagem de desavisados; a diferença é que aqui isto vira notícia porque não estamos acostumados a receber grandes volumes de turistas. Falo tudo isso não por achar tudo muito “normal”, mas sim para que sirva de alerta a quem vem para a Copa, pois a história se repetirá – aqui e na cidade mais perto de você.

 

Gente, parece que vai ter Copa.

Então não encham o saco/percam seu tempo mostrando as podridões do seu país. Sim, elas existem, eu sei. Também tenho pena de pobre, fico com raiva do descaso sofrido pelo povo, tenho medo da violência, acho que o dinheiro poderia ser melhor investido.

Só acho que de nada adianta ficar falando das mazelas E NÃO FAZER NADA, só ficar (sentado) reclamando (do conforto do seu lar). Quem não faz nada, não pode reclamar. Quem acha que política é uma coisa que acontece de quatro em quatro anos, também não pode reclamar. Se esse não é seu caso, esse post não é direcionado  a você.

Estou falando de gente que posta e reBosta vídeos, artigos de revistas e tudo mais que sai na mídia – que muitas vezes trás algumas verdades, mas normalmente também repletas de muita mentira ou demagogia. Ninguém checa a fonte, a tradução exagerada, simplesmente engolem o que outros falam, acham lindo falar mal do Brasil, pois pessoas ‘de cultura’ vão é gastar seu dinheiro lá fora, no mundo civilizado. Pior, acham legal pichar muro, “Fora Copa”, depredar.

Quer ajudar e não sabe como? Vou te dar uma ideia: fale bem do seu país, apoie a vinda de estrangeiros com os bolsos cheios, promova o lado bom do Brasil. A sujeira não vai se esconder embaixo do tapete, gringo não é burro. Gringo tá sabendo que rola coisa feia por aqui. Não tem como esconder, todos vão ver.

Só estou tentando sugerir que ao invés de ficar levantando bandeirinha de revoltado, quem sabe usem esse seu tempo livre pra dar emprego a um deficiente, apadrinhar uma criança pobre, reciclar lixo, ‘ensinar alguém a pescar’?

Não estou sugerindo que a apatia e a falta de senso crítico sejam o caminho certo, ou que nossos políticos sejam uns santinhos. Eu mesma não vou sair dando discurso ufanista, mas uma coisa eu aprendi: quem não pode ajudar, perde o direito de reclamar.

Vou te dizer que 99% das vezes que falei para alguém de fora que eu era do Brasil a reação foi a mais simpática possível.  A maioria das pessoas de fora me fazem várias perguntas sobre lugares para visitar no Brasil, sobre nossa cultura. Quase sempre a reação não é só de curiosidade, muitas vezes rola um verdadeiro fascínio, o Brasil faz parte do imaginário de todo viageiro, somos um paraíso improvável.

Uma pena que Brasileiro não saca isso, o legal é ir pra fora.

Alguém disse que a saída para o Brasil é o aeroporto. Taí uma solução boa pra ti: imigre.

Como o Facebook Mudou Minha Vida

Assim como parece difícil acreditar que já foi possível marcar encontros (e tudo dar certo) sem telefones celulares, atualmente é estranho pensar que um dia não tínhamos Facebook. Que há uns dez anos atrás era difícil acompanhar os momentos felizes de um amigo que morava longe, ou que um dia não precisávamos validar todos nossos passos dando check-in ou alterando nosso ‘status’. Sim, pasmem, antigamente bastava casar-se na igreja/cartório/terreiro, já agora isso não vale de nada se não tiver a bênção do facebook. Veja abaixo outras curiosidades incríveis do mundo do Sr. Zuckeberg:

Posso decidir se quero ser amigo de alguém antes de realmente ser.

Funciona assim: vou para um curso/emprego/bairro novo. Logo, surgem os candidatos a amigo trocando contato no FÊICI. Em segundos a amizade evolui para o compartilhamento de vídeos e curtição mútua de fotos. Ôpa, parece que o cara da rua de cima tem dicas infalíveis sobre como ficar rico rápido, já a mocinha da casa ao lado ama vídeos de crianças japonesas prodígio. Assim ficou mais fácil escolher minha companhia para o próximo porre – se eu resolver convidar aquele colega que faz check-in até na fila do super, o resultado da noite é culpa toda minha, não posso dizer que não haviam ali claros sinais de que minhas fotos agarrada ao segurança do bar seriam usadas contra mim.

 

Não tenho que conversar sobre o nada com as pessoas.

Tempo para conversar ao vivo nunca temos, mas seguir os posts um do outro, seguimos. Eis que aquele conhecido a-do-ra deixar o mundo saber de seus movimentos diários, desde a visita matutina ao espelho (quando constatou que era um momento único que merecia uma selfie), até pouco antes de deitar, quando lembrou seus face-amigos que a vida era muito generosa com ele por dar-lhe tantos bens materiais – bens que, claro, examinamos um a um no álbum que mostra desde o momento de decisão de compra, passando por aquisição, transporte para casa e montagem. É o fim dos silêncios constrangedores, pois a próxima vez que eu encontrá-lo no elevador não preciso perguntar sobre o tempo, posso indagar sobre a performance do novo computador (computador, esse, que inclusive o ajudei a escolher através de meus comentários pseudo-informados no seu post).

 

Escolho que conversas não quero ter (e que pessoas preciso isolar por um tempo, ao menos até que o assunto morra).

Sabe quando descobrem que um famoso andou dizendo umas asneiras, ou que tal político é ladrão, ou desmascaram um erro de jornalista, ou se dão conta que o Brasil é um país horrível para se morar? Quando eu era criança, quem tentava me convencer pela repetição era a TV, hoje em dia quem tenta provocar meus sentimentos são as redes sociais. O facebook tenta me engajar em debates que normalmente mostram parte da história, isso quando mostra história alguma (e não lorota). Marqueteiros mundo a fora se deram conta de tudo isso muito antes de mim e usam a revelia a falta de bom-senso nas redes. Basta um Zé ninguém escrever o que quer sobre um assunto polêmico, a coisa é então muitas vezes dita (ou compartilhada, melhor ainda) e acaba virando verdade.

A velocidade da informação é, às vezes, rápida demais.

Há não muito tempo atrás, a informação era recebida através da TV e do jornal impresso. Às vezes poderíamos dar a sorte (ou azar) de presenciar um fato inédito, ou de um amigo ligar contando que viu fulano na rua fazendo o que não devia. Isso era a exceção, a regra era obter informações devidamente filtradas e editadas pelos veículos de informação. Adoro a internet porque posso pesquisar pelo que quiser, na hora que eu quiser e posso então tentar formar minha própria opinião. É ótimo não precisar esperar os donos da opinião decidirem o que eu posso ouvir/assistir. Os celulares com ótimos recursos de câmera e internet ampliaram esta velocidade, a tal ponto que se alguém flagrar algo, vai cair na rede e de lá só sairá abaixo de processos ou protestos. Essa velocidade chegou a um ponto assustador. Fico sabendo de coisas que não sei se quero saber, vulgo “só um lado da história”.

Em tempo: fico tão chocada quanto qualquer ser humano normal quando se descobre alguma afronta à civilidade – corrupção, crimes, violência, unha mal feita; só acho um saco mesmo é quem acha que tem que se ter uma opinião formada sobre tudo e propagá-la nas redes, piormente se ainda não se conhecem todos os fatos.

 

Brasileiro adora um debate.

É só aparecer um assunto polêmico, todo mundo vai compartilhar. Qual é a moral de compartilhar que o Brasil é foda? Eu sei que o Brasil é foda, você sabe. O que vai adiantar esse debate? Resposta: vai aliviar a nossa consciência, pois vamos nos achar “fazendo a nossa parte”. Que parte? Parte faz quem vota, quem educa, quem não faz gato em casa, quem não terceiriza filho. Está muito na moda e virou forma de se mostrar ‘engajado’ falar das podreiras do país. A internet tem bastante canais de notícias para me informar de todos estes assuntos, e o facebook com certeza não é um deles. Há quem diga que quer que todo mundo fique sabendo, que deve-se compartilhar tal e tal ‘vergonha’ para ‘expor’ este partido, ou aquela empresa. Estaríamos, assim, supostamente fazendo a nossa ‘parte’. Sinceramente, quem precisa de facebook para se manter informado, não merece ser informado.

 

O Facebook é muito fodão!

Muitos usam pra dar risada dos outros, muitos usam com objetivos voyeurísticos. Uma coisa todos nós temos em comum: ninguém desativou sua conta ainda.

Adoro ficar sabendo dos meus amigos que moram longe e de suas conquistas, gosto de dividir fotos de lugares em que nunca estive antes. Mas infelizmente, para cada risada que dou de piadas compartilhadas, tenho que conviver com correntes da amizade, convites para Games e esse tal de jornalismo verdade.

by PR TARCISO

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