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10 Motivos Para Odiar os Bares da Moda (em segredo)

[Uma tradução do post originalmente publicado por Wait But Why aqui]

Na maioria as cidades pelo mundo afora, bares representam o âmago da vida social e andam de mãos dadas com a cultura jovem – algo estranho, já que o diagrama realista é este:

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A palavra “bar” pode remeter a uma variedade de lugares – a regra básica é, quanto mais descolado for o bar, pior experiência ele proporcionará. No final de semana é pior ainda, os bares uber-cools, super populares, escuros e com música alta tornam-se verdadeiros templos do sofrimento.

O problema começa porque na nossa imaginação os tais bares da moda são lugares divertidos. O cara pensa: “Esse findi vai ser ducaralho, vou beber todas na balada!” e tal pensamento nunca vem seguido de, “Peraí, acabo de me lembrar que bares são lugares horríveis de se ir no final de semana.”

Após anos de sofrimento acidental de bilhões de pessoas, chegou a hora de analisarmos em profundidade esta prática voluntária e examinarmos o que, de fato, significa ir a um bar da moda.

Vamos começar do começo:

É noite de sexta, você está animado. Você se apronta – está vestido apropriadamente, seus amigos também estão vestidos apropriadamente e vão todos ao local apropriado: o bar.

Ao chegar, se deparam com uma cena conhecida –

 

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Vamos parar por um momento e entender o que se passa por aqui.

Se quisermos entender o raciocínio dos bares da moda, basta entender o raciocínio de todos os outros estabelecimentos – “agrade os clientes e eles voltarão” – só que ao contrário.

É o que eu chamo de estratégia Você é um Nada. Ser forçado a ficar em uma fila como uma tartaruguinha adestrada – muitas vezes no frio e até mesmo quando o bar está vazio – isso é só um gostinho da estratégia para te mostrar que Você é um Nada.

Enquanto você espera, observa diversos grupos de meninas irem até a frente da fila sem esperar, o segurança levantando a corda e deixando elas passarem. Na sua frente. Porque Você é um Nada.

Quando finalmente chega sua vez, você notará que não há uma placa com o nome do bar, porque o bar adora observar seus clientes-de-nada passando trabalho para encontrá-los.

Daí chega a hora de mostrar sua identidade pra um sujeito que se não foi o maior babaca do seu colégio, foi o maior babaca do colégio de alguém.

Daí ele empurra a sua bundinha de Nada para o próximo estágio, mostrando para todo mundo que você desesperadamente quer ser cliente do bar, aceitando inclusive pagar $10 só para entrar. O toque final fica por conta do humilhante carimbo que ele vai tacar na sua mão – sem outro motivo, simplesmente porque pode.

Algum desavisado que estivesse observando, ao testemunhar tudo que se passou, presumiria que você está prestes a adentrar um paraíso utópico de prazeres. E ficaria surpreso ao te ver entrar nisso:

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No primeiro momento em que se entra em uma cena destas, sente-se um misto de terror e desespero. É um caldeirão do inferno – volume alto demais, escuro e cheio, sem nenhuma possibilidade de que algo de divertido ocorra por ali.

Não tenho certeza de quando ou por que isso aconteceu, mas em algum ponto na história ficou decidido que a abominável combinação volume alto/escuro/cheio seriam elementos essenciais de uma balada boa. [1] Talvez isso tenha começado porque as casas noturnas tentavam imitar a vibe dos concertos, e depois os bares começaram a imitar casas noturnas para parecer parecer mais descolados – não tenho certeza. Mas o resultado final é um lugar que não leva em consideração o conceito de humanidade, e lá está você no meio disso tudo.

[1] Em 2012, o NY Times descobriu que bares de Nova Iorque tornavam-se progressivamente mais alto com o passar dos anos, a tal ponto que agora com frequência atingem o perigoso ponto acima de 100 decibéis, semelhante ao barulho de uma motosserra. Por quê? Porque estudos clínicos demonstram que, quanto mais alto o volume, mais os clientes bebem.

Bom, agora que você já entrou – qual o próximo passo?  Vamos dar uma olhada nas diversas atividades das quais você participará durante a sua passagem pelo bar:

Atividade 1) Pegar umas bebidas

Depois de pendurar seu casaco em um gancho na parede e dar adeus a ele pela última vez, chegou a hora de pegar um drink. Você foi o primeiro dos seus amigos a passar pela porta, então está à frente do seu grupo que tenta ir passando pelo povo, o que significa que você gastará os piores $54 que um ser humano pode gastar em uma rodada de bebidas, já que ninguém irá lembrar daquela primeira rodada. Mas pegar a rodada é o objetivo final – antes você ainda tem que descobrir como passar pelas três camadas de pessoas que também tentam pedir uma bebida:

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É uma parada nojenta. E dependendo do seu nível de agressividade e sorte, fazer a pior compra da sua vida pode levar de 3 a 20 estressantes minutos. Eu estimo que tenha passado pelo menos o equivalente a uma semana da minha vida projetando minha cabeça para frente, encarando o barman com um olhar fulminante e ainda assim não conseguindo fazer contato com ele.

Finalmente voltando para sua rodinha de amigos com as bebidas, está na hora de começar a atividade básica de qualquer bar –

Atividade 2) Ficar lá parado sem falar com ninguém

Ficar lá parado sem falar com ninguém é a principal atividade de qualquer noite na balada. Se olharmos distraidamente, Alto/Escuro/Cheio dão a impressão de que todo mundo no bar está se divertindo e socializando. Mas na próxima vez que entrar em um, olhe bem ao redor e verá uma alta percentagem de pessoas como este cara:

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Há 30 minutos atrás este mesmo cara estava jantando com seus amigos – conversando, rindo, sentado confortavelmente. Mas agora, ufa, a verdadeira diversão começou.

Atividade 3) Segurar alguma coisa

Quase tão onipresente quanto a Atividade 2, segurar alguma coisa – normalmente uma bebida gelada – é uma atividade popular em bares no mundo todo. O que todo mundo ignora é que segurar uma bebida gelada é uma merda. A) Segurar qualquer coisa por um período prolongado é uma merda, B) Uma bebida gelada e molhada é ainda mais desagradável de se segurar e C) Como os bares são estupidamente cheios, seu cotovelo vai ser empurrado a cada 30 segundos, continuamente derramando a bebida na sua mão e pulso. Se você estivesse em um restaurante e alguém te pedisse para segurar uma bebida a alguns centímetros da mesa e enquanto usa o lugar, você iria embora.

Mas no bar infelizmente descansar a bebida não é uma opção, pois segurar nada em um bar deixaria suas mãos livres, o que tem o efeito colateral de te alertar para o fato de que você está lá parado sem falar com ninguém, te causando pânico. A solução é rapidamente segurar outra coisa, geralmente seu telefone, o que te deixa invisível novamente.

Atividade 4) Soltar gritinhos para mostrar para todo mundo que você está se divertindo

Desesperados para perpetuar a narrativa do “Que divertido” a qual fomos jurados, às vezes se ouve alguém gritar alguma coisa direcionada a ninguém específico. Eles não estão gritando uma palavra de verdade – é alguma coisa nada a ver tipo um “Woooh” ou “Ohhh!” Comparado às outras atividades, este é provavelmente o momento mais divertido da sua incursão ao bar.

Atividade 5) Gritar na cara de alguém

Daí chega aquele momento em que você decide interagir com os seus amigos, afinal, teoricamente vocês estão curtindo uma noite legal juntos. Não existe a mínima chance de cativar outros com seu bom papo, então a conversa é crua e básica – eu estimo que em 20 minutos de conversa de bar se alcance o equivalente a 1 minuto de conversa em um restaurante.

Talvez você esteja se sentindo ambicioso e decida abordar estranhos. Esta é normalmente uma experiência frustrante para ambos os lados da interação, e quase sempre termina em algo infrutífero. A ironia é que esta vibe Alto/Escuro/Cheio do caldeirão do inferno existe primariamente para pessoas solteiras que querem conhecer pessoas solteiras, mas os bares não conseguem desempenhar bem nem este que seria seu papel primário. Bares são lugares horríveis para solteiros encontrarem alguém. Já é difícil enxergar a cara das pessoas, que dirá as sutis expressões faciais que dão dicas sobre suas personalidades. E como está muito cheio e difícil de se escutar qualquer coisa, não vai rolar de se entrosar com os outros, restando apenas técnicas agressivas para iniciar-se uma conversa (ex. abordar estranhos) como a única maneira se tentar começar qualquer coisa.

Ao iniciar uma conversa com uma pessoa nova, você passará 6 minutos tentando sair daquelas primeiras nove linhas de conversas preliminares e ainda terminar sem a mínima ideia se essa pessoa tem senso de humor – digamos que não é o lugar ideal para se desenvolver uma química.

 

Atividade 6) Dançar

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Atividade 7) Chorar

Muitas pessoas choram nos bares.

Atividade 8) Banhar-se nos mais batidos estereótipos de gênero

De meninas furando a fila ou ganhando ingresso cortesia a caras pagando bebidas para meninas que conheceram há oito segundos atrás, os bares são uma arena moderna de estereótipos de gênero que atravessaram as décadas. Discriminação casual e misoginia requintada florescem e prosperam por aqui. Sexismo e desigualdade entre os sexos são temas de interesse no momento, e ainda assim ninguém parece se importar de voltar para 1953 quando entra em um bar.

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Atividade 9) Tomar shots para amenizar todo sofrimento

Shots não são gostosas. Quem falar o contrário está mentindo.

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Atividade 10) Rolar na sujeira

Bares são ótimos lugares para se absorver toda a imundície coletiva da humanidade. Chãos grudentos, vômito, estranhos se beijando, todo mundo soltando bafo na nuca de todo mundo, o pessoal do bar mexendo no dinheiro e depois colocando um limão no seu drink – é um nível de qualidade de vida que só poderia ter sido criado por bêbados e no qual somente bêbados conseguem sobreviver. O exemplar mais nojento é o banheiro dos homens, onde 120 caras bêbados despejam ¼ do seu mijo no chão – o que é como se 30 homens mijassem seu mijo inteiro no chão do banheiro, e você vai pisar lá pelo menos duas vezes ao longo da noite.

 ______________

No desfecho desta fossa das piores qualidades humanas, em meio a dois bebuns que descontam suas frustrações sexuais saindo no soco, chega a hora de dizer tchau.

De súbito lembrando que comida existe, você se reanima e caminha para a saída – mas não sem antes passar, claro, por aquele povo de fim de festa: hordas de tarados fazendo tentativas frenéticas para ver se levam alguém para casa. É com agradável surpresa que você encontra o seu casaco pendurado no mesmo lugar que deixou. Mas para compensar, lógico, você perde a comanda.

Daí acabou. Quer dizer, quase…

Tem um último passo crítico – o momento que propagará a espécie notívaga para a próxima noite: você tem que se convencer que a noite foi super divertida.

É claro que bares de som alto, escuros e cheios não são divertidos. Mas beber geralmente é divertido – não importa aonde. Vá bêbado para um mercadinho com um bando de amigos, e você irá se divertir. Ande de ônibus pela cidade – se você estiver bêbado, provavelmente irá se divertir. Se você acha que se divertiu no bar, o que na verdade aconteceu foi que você ficou bêbado e nem o bar conseguiu arruinar sua noite. Se uma coisa é divertida de verdade, deveria ser divertida mesmo quando se está sóbrio, e bares não são divertidos quando se está sóbrio.

Algumas pessoas nem se dão conta que odeiam bares, e para estas pessoas o auto-convencimento é um processo automático que se desenvolve ao longo da noite. Para outros, a auto-sugestão é um pouco mais forçada e leva uma ou mais semanas para se consumar. Algumas pessoas nunca conseguirão realizar essa distorção da própria memória, mas a maioria dos seus amigos conseguem, de tal modo que precisarão dos bares para outro propósito – evitar o tal ‘medo de ficar por fora’ – e acabarão mesmo assim retornando ao bar.

Temos aqui um problema sem nenhuma solução rápida – e até que as coisas mudem, as ruas boêmias ficarão tomadas de Nadas, pacientemente esperando sua vez de entrar.

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7 Maneiras de Ser Insuportável no Facebook

Uma tradução do post originalmente publicado por Wait But Why aqui.

Lembro como se fosse ontem. Dia de Ano Novo, 2014. Estava tendo uma tarde agradável, até que abro o email de um amigo compartilhando um post horroroso publicado no Facebook por alguém que chamaremos de Daniel.

O tal post dizia:

2013 foi um baita ano para mim. Larguei um trabalho maravilhoso na Globo para me mudar para Floripa. Comecei a namorar com meu anjo, Julia Bastos. Comecei a fazer ioga (obrigada Luis Fisher e Jonas Muller!). Compus um álbum com Mateus Johanson. Escrevi um segundo álbum do qual me orgulho. Convivi com Cauã Raymond e trabalhei com Marcelo Adnet num projeto maravilhoso. Tive uma conversa sobre política com William Bonner. Dancei. Entrei para um clube de rugby. Ganhei alguns prêmios. Ajudei minha irmã a planejar sua viagem de verão. Nadei bastante. Joguei um pouco de golf. Chorei mais do que você imagina. Li “O Mundo de Acordo com Garp”. Assisti ao “Apocalipse Now”. Fui para Miami assistir às finais de NBA. Tomei o melhor suco de laranja da minha vida com Lucas Oliveira. Entrei no Tweeter. Fui a casamentos maravilhosos no interior. Bebi quantidades absurdas de leite. Aprendi a fazer esculturas de areia. Assisti a um show de luzes incrível. Vi os Angels e o Lakers. Me apaixonei por Jawbone Up. Cozinhei com a Julia. Fiz jardinagem com a Julia. Assisti A Grande Familia com a Julia. Lutei com a Julia. Ri por horas com a Julia. Me apaixonei pela família da Julia. Trabalhei numa peça. Joguei World of Warcraft. Fiz improvisação. Toquei muita guitarra. Simplesmente tive um ano inexplicável, afudê. Que mundo.  

Quando terminei de ler, foi que me dei conta de que minha mão que não segurava o telefone apertava a minha testa, amassando a pele com força. Minha expressão facial era de quem foi forçado a assistir um evento no qual as pessoas têm sua pele arrancada devagarinho. Era tudo de ruim sobre tudo, num só lugar. Mas ao invés de distanciar-me do horror, me deixei absorver por ele. Li de novo e de novo, fascinado pela gritante falta de qualquer atrativo naquilo. Aquilo me fez pensar sobre o que faz comportamento ruim no Facebook, ser de fato ruim e por que certos comportamentos no Facebook não são irritantes.

No fim das contas a regra é bem simples:

Um status no Facebook é irritante se servir primariamente ao próprio autor e não fizer nada de positivo pelo leitor.  

 

Para examinarmos a questão, vamos começar discutindo as características de um status não-irritante.

Para ser não-irritante, um status do Facebook precisa conter uma destas coisas:

1 – Ser interessante/informativo;

2 – Ser engraçado/inusitado ou entreter.

Sabe por quê eles são não-irritantes? Porque coisas nestas duas categorias fazem algo para mim, o leitor. Eles tornam meu dia um pouquinho melhor. Em uma situação ideal, status interessantes seriam fascinantes e originais (ou um link a algo que seja), e status engraçados seriam hilários. Mas até um interessantinho já me serve – ao menos ainda se trata de post de gente boa tentando agradar.

Por outro lado, status irritantes tipicamente fedem a uma destas cinco motivações:

1 – Formação de Imagem. O autor quer manipular a maneira que os outros lhe enxergam.

2 – Narcisismo. As visões, opiniões e filosofias de vida do autor importam. O autor e a vida do autor são interessantes.

3 – Necessidade de atenção. O autor quer atenção.

4 – Provocar Ciúmes. O autor quer que outros tenham ciúmes dele ou da vida que ele leva.

5 – Solidão. O autor se sente sozinho e quer que o Facebook resolva este problema. Este é o menos odioso dos cinco – mas assistir a uma pessoa solitária bancando a solitária no Facebook deixa a mim e todo o resto do mundo chateados. Então esta pessoa está na verdade espalhando a sua tristeza, e não é legal fazer isso, por isso o assunto está nesta lista.

O Facebook está infestado destas cinco motivações – com exceção de alguns santos por aí, a maioria das pessoas, nas quais definitivamente me incluo, são culpadas de pelo menos uma destas faltas de bom-senso de vez em quando. É uma epidemia.

Para explicar os tipos de ofensa mais comuns –

7 MANEIRAS DE SER INSUPORTÁVEL NO FACEBOOK

1) O Exibido  Exibicionismo é um comportamento chato tão comum no Facebook que precisamos subdividir em três categorias:

1a) O exibido do tipo “Ô, vidão…”     Descrição: um post que faz sua vida parecer ótima no sentido macro (consegui meu emprego dos sonhos, me formei, amo meu apartamento novo) ou micro (começando uma viagem incrível, vou ter um findi daqueles, saindo para uma noitada com os amigos, que dia lindo que eu tive).

Exemplos:  

– Adivinha quem passou no vestibular?

– Tô no Rio!

– Entrando de VIP no jogão na Arena, seguido de noitada com os amigos. Sábado, seu lindo!

Principais motivos para postar: Formação de Imagem (sou bem-sucedido, sou feliz, tenho uma ótima vida social), Provocar Ciúmes.

Então na melhor das hipóteses, você está muito empolgado com a própria vida e precisa dizer isso para todo mundo, e na pior das hipóteses você tem esperança de fazer com que outros se sintam piores sobre suas vidas e com ciúmes da sua. Em algum lugar no meio disso está você calculando cada palavra como parte de uma campanha antipática e transparente para fazer com que as pessoas lhe vejam de uma determinada maneira.

Vou te dar o benefício da dúvida e supor que você esteja apenas super animado e precise se exibir. Mesmo que seja este o caso, as únicas pessoas para quem está ok se exibir são seus amigos íntimos, parceiros e família – e é para isso que servem emails, sms, ligações telefônicas e conversas ao vivo.

Seu momento de satisfação pessoal é profundamente irritante para pessoas de quem você não é próximo, e estas pessoas são a maioria esmagadora de pessoas sujeitas ao seu status no Facebook.

1b) O Exibido Disfarçado   Descrição: como o exibido declarado, porém com um delicado disfarce. São os humildes exibidos, exibicionistas indiretos, ou articuladores de um exibicionismo disfarçado de desabafo, etc.

Exemplos:  

– Sei que vão me acusar de roubar o diploma, mas pelo jeito bebuns como eu também conseguem um PhD!

– Estarei viajando no verão, me avisem se souberem de alguém que se interesse em sublocar meu apê na Tijuca.

– Voltando do trabalho levei duas assoviadas, duas buzinadas e um carro quase causou um acidente andando devagarzinho pra poder olhar pra mim. Às vezes eu odeio os homens!

Principais motivos para postar: Formação de Imagem, Provocar Ciúmes.   Por um lado, estas pessoas tem a decência de cobrir seu exibicionismo com algo. Por outro, eles têm exatamente as mesmas motivações dos exibidos declarados, de tal maneira que estes exemplos tornam o primeiro grupo quase simpáticos em comparação.

1c) O Exibido tipo “Estou em um ótimo relacionamento”    

Descrição: expressão pública dos seus sentimentos extremamente positivos pelo seu parceiro ou a descrição de algum fato que simbolize a perfeição do seu relacionamento.

Exemplos: 

– Uma viagem surpresa para Gramado. Meu namorado é perfeito!

– Obrigada, Raquel, pelo melhor ano da minha vida. Te amo, amor.

– Curtindo um lindo domingo de chuva com a esposa com pizza, jogos e filmes.

Principais motivos para postar: Formação de Imagem (para seu governo, eu tenho um namorado, estou em um relacionamento maravilhoso), Provocar Ciúmes.   Os motivos por trás da Formação de Imagem e Provocar Ciúmes são nítidos. A única possibilidade nem-tão-horrível-assim seria de que esta seja uma tentativa de reforçar o relacionamento mostrando como você se sente de uma maneira mais substancial do que simplesmente no particular.

Sério? Você vai arrastar outras 800 face-pessoas nessa merda porque você não conseguiu pensar uma maneira mais criativa de extravasar a expressão dos seus sentimentos?   Há a possibilidade engraçada de, no caso de ser um cara postando, que ele esteja fazendo isso ou porque está em apuros por algo que aprontou ou que o namorado-da-amiga-da-amorada tenha usado essa tática para fazer as pazes e que agora sua namorada esteja apenas 10% braba, e agora então não custa tentar também.

A verdade é que, não tem desculpa, se você sente a necessidade de pintar o seu relacionamento por todo Facebook, há maneiras mais socialmente aceitas – coloque sua foto de perfil com seu par; goze três momentos separados de um turbilhão “curtidas” e aplauso-comentários ao mudar seu status para “em um relacionamento”, depois para “noivo” e finalmente “casado”.

2) O Gancho Misterioso  

 

Descrição: um post que deixa claro que algo bom ou ruim está acontecendo na sua vida, sem revelar os detalhes.

Exemplos:

– Chega. Não quero mais saber de homem.

– Hoje o dia promete…

– Momentos como esse fazem todo o esforço e dor valerem à pena.

– Ai ai ai…

Principal motivo para postar: Necessidade de Atenção   A parte legal é ficar observando os inevitáveis comentários e como o autor responde, se é que responde.

Este processo divide os autores em quatro sub-categorias:

– A celebridade: o autor se mantém em silêncio, tratando os criadores dos comentários como sua legião de fãs.

– A namorada exigente de 800 face-pessoas: o autor explica tudo nos comentários, o que significa que ele que iria de fato falar publicamente sobre o assunto, mas ele não queria simplesmente contar ao público, ele queria que o público lhe perguntasse a respeito.

– O protagonista torturado: é algo ruim. O autor responde mas mantém o mistério – ela está infeliz mas não está afim de “falar sobre isso agora”.

–  A princezinha especial de todos nós: é algo bom. O autor responde mas mantém o mistério – é algo muito bom mas ele “não pode falar nada ainda, mas em breve vocês saberão!” Agora você, face-amigo, pode dar aquele pulinho extra enquanto espera pelas boas novas, quase perdendo o fôlego! Este é um tipo especial porque também deixa aflorar o Narcisismo, Provocar Ciúmes e Formação de Imagem. Que pessoa divertida para ter na sua vida!

3) A Atualização de Status Literal  

Descrição: uma atualização de status sobre a rotina da pessoa.

Exemplos:

– Treino seguido de leitura.

– Bolinhos!

– Finalmente terminei meu trabalho!

Principais motivos para postar: Solidão, Narcisismo; pensar que “atualização de status” realmente tem que ser uma atualização de status.

Deixe-me demonstrar visualmente –

“Finalmente terminei meu trabalho!” Certo…e daí? O que você procura com isso?  Parabenizações fake de um bando de gente que não se sente emocionalmente ligada à sua luta? Terminar seu trabalho é parte do território verde no quadro acima, ou se você trabalhou nele por alguns meses talvez permeie as bordas do laranja. Para 90% das pessoas que leem seu status, não chega nem perto do território vermelho, a parte que realmente interessa a eles.

Treino seguido de leitura. Ah, então estes são os planos de hoje à noite? Pra quem exatamente você está contando isso? Agora vou a fundo nessa questão. Em algum momento entre a saída do trabalho e a chegada na academia, você teve um impulso de pegar seu telefone e escrever este status. Largue esse telefone e me explica o que foi que você alcançou com isso. Estamos falando de um território totalmente azul aqui, algo que não interessa nem à sua mãe. Muitos status irritantes passam longe do território vermelho, mas todos tem alguma serventia ao próprio autor, e por isso ainda assim são postados. A outra explicação possível é a presença de narcisismo severo, como se de alguma maneira, já que você é você, até mesmo os menores detalhes da vida sejam interessantes para os outros.

Uma parte estranha da vida de uma grande celebridade é que as pessoas se tornam obcecadas com tudo que lhes ronda, até mesmo as questões de território azul. Se você não é uma grande celebridade, este não é um problema que você vai ter, juro.

4) A Mensagem Privada Inexplicavelmente Pública    

Descrição: um post público de uma pessoa para outra que não tem motivo nenhum para ser público, mas é.

Exemplos:

– Saudades! Quando é que a gente vai dar uma banda?

– Que findi mara com a Simone Rocha e a Lilian Silva. Amo vcs!

– Todo tipo de piada interna.

Principais motivos para postagem: Formação de Imagem, Provocar Ciúmes, Narcisismo, ou você tem mais de 80 anos e não se deu conta de que há uma diferença entre mensagens públicas e privadas.   Tirando minha avó, não há nenhum bom motivo que justifique isso. Bom é a palavra-chave aqui. Há inúmeros motivos irritantes para fazer isso.

Vamos a eles:

– Fazer você parecer cool, sociável e com uma vida social divertida e interessante;

– Para mostrar aos outros o quanto você e o destinatário são bons amigos;

– Para que os outros sintam ciúmes e se sintam mal sobre as vidas sem graça que levam;

– Porque você gosta de agir como se estivesse no colégio e fosse uma das garotas populares, das quais a vida social, na verdade, é uma coisa importante para o resto das pessoas. Uma possibilidade que me agrada é a de que a mensagem seja escrita com o intuito de induzir ciúmes de uma pessoa específica que provavelmente verá a mensagem por tabela, sendo este um ex ou um amigo que o postador e o amigo citado odeiem. Esse tipo de maquiavelismo é tão extremo que cruza a última fronteira e acaba se tornando uma coisa que me agrada.

5) O Discurso de Aceitação do Oscar Vindo do Nada

 

Descrição: uma rasgação de seda por nenhum motivo específico e sem um destinatário específico.

Exemplo: Eu só queria dizer o quanto eu sou grata por todas as pessoas que tocaram minha vida de alguma maneira. O apoio de vocês é tudo pra mim e eu não teria conseguido vencer na vida se não fosse todo seu carinho!  

Principais motivos para postagem: Necessidade de Atenção   Me recuso a acreditar que você esteja sentindo esse amor verdadeiro por 800 face-amigos. E se você realmente estivesse sentindo esta vontade súbita de demonstrar seu amor por seus melhores amigos e família, será que um status público é a melhor maneira de fazê-lo? Será que mandar um texto ou email para alguns deles não é um pouco mais pessoal e verdadeiro? Não interessa, pois isso não está acontecendo. O que está acontecendo se resume a, “Gente! Eu estou aqui! Me abracem!” Você conhece a resposta inevitável a este tipo de status, não interessa quem você é, você receberá várias curtidas-abraços e curtidas-tapinhas-nas-costas. Isso não é um pouco carente da sua parte? Você não está amando quando escreve um post desses, está sentindo é que precisa se sentir amado.

O único momento em que isso é mais ou menos aceitável é quando é parte de um enorme abraço coletivo, por exemplo no Natal ou Ano Novo. Se você abrir seu Facebook no Natal, verá centenas de Discursos de Aceitação do Oscar Vindos do Nada. (e se te interessa saber: esse é outro tipo de post que eu também não me importaria de ficar sem.)

6) A Opinião Óbvia Demais  

 

Descrição: quando um grande evento ocorre, vem sempre um post fedendo àquela opinião que você já ouviu 1000 vezes.

Exemplos:

– Sinto muito pela situação em Israel. Todos tem direito à felicidade e rezo para que eles consigam a sua.

– Rezo pelas pessoas da Malásia depois dessa tragédia imensa. Não consigo expressar em palavras como lastimo por aquelas vidas inocentes perdidas.

– Sinto-me um pouco frustrada com a situação política do Brasil, mas vamos lá, agora o jeito é correr atrás do prejuízo da Copa e votar consciente!

Principais motivos para postar: Narcisismo, Formação de Imagem (sou do tipo de gente que tem certas opiniões ou reações, sou esperto e capaz de dizer coisas adultas).

Estes status irritam porque A) você não está dizendo nada remotamente original ou interessante sobre um evento que a mídia já saturou, cobrindo todos os ângulos possíveis e B) você está fazendo um evento enorme e trágico ser algo um pouco sobre você. A tristeza que você sente pelos mortos não é uma peça-chave do quebra-cabeça aqui, você precisa nos explicar o evento através de suas lentes pessoais, mesmo que suas lentes sejam apenas vidro transparente – se eu quiser uma dose de narcisismo para acompanhar a tal tragédia, pode deixar que eu simplesmente leio os tweets das celebridades sobre o evento.

7) Um Passo Em Direção à Luz    

Descrição: pérolas da sabedoria não requisitadas.

Exemplos:

– “A paz vem de si. Não a procure sem.” ~Buddha

– Confie no Senhor de todo o seu coração e não se apoie em seu próprio entendimento; reconheça o Senhor em todos os seus caminhos e ele tornará seu caminho o correto. ~Provérbios 3:5-6

Principais motivos para postar: Formação de Imagem, Narcisismo.   Ah…por onde começar.   Primeiramente, vamos esclarecer que não há nenhuma humildade em posts do tipo Um Passo em Direção à Luz só porque são uma citação – a mensagem condescendente óbvia aqui é, “Ahh olá face-amigos. Eu sei o segredo da vida – deixe-me ensinar-lhes para que um dia você também possa atingir a Luz.”

Em segundo lugar – quer saber o que inspira as pessoas? Quando você realiza algo incrível e permite que este exemplo inspire a outros. Para que suas palavras por si só inspirem alguém, você tem que ter o dom da palavra ou ser um escritor que de fato tenha algo original para dizer – e nós sabemos que esse cara não é você.

Considerar-se um cara inspirador simplesmente por postar citações banais é, bem, narcisista de modo alarmante. É como se dissesse que você, sendo simplesmente você, é uma pessoa inspiradora. Em terceiro lugar, vamos ao verdadeiro motivo destes status – Formação de Imagem. Você quer que os outros saibam o quão sábio você é e que admirem a sua jornada espiritual.

***

O post do nosso amigo Daniel lá no começo foi um feito raro – em um mero parágrafo, ele conseguiu esmigalhar minha alma, exemplificando quase todos os tipos de status e motivações discutidos acima. Acontece que, olhando logo abaixo daquele status dele, só se encontravam “curtidas” e alguns comentários simpáticos. E é por isso que o comportamento insuportável no Facebook jamais morrerá – não existe botão “não curtir” ou “revirar os olhos” ou “dar um dedo” no Facebook, e é deselegante responder nos comentários batendo de frente com o status inicial.

Desta forma, comentários irritantes são estimulados e as pessoas permanecem ignorantes do fato de que estão constantemente baixando o nível de qualidade de vida das pessoas ao seu redor. O ponto-chave aqui é que as qualidades nestes status irritantes são na verdade meras qualidades humanas – todo mundo precisa se exibir de vez em quando, todo mundo tem momentos de fraqueza quando precisam de atenção ou se sentem sozinhos, e todo mundo tem algumas características bizarras que volta e meia virão à tona.

E é por isso que tem gente que ainda assim te ama.   O que o Daniel e a maioria das pessoas não internalizaram é que eles têm 800 amigos no Facebook, mas só uns 10 ou 15 amam ele. Para uma pessoa demasiadamente amável, talvez esse número chegue a uns 30. Entre 1 e 4%.

Isso significa que entre 96 e 99% dos seus amigos do Facebook NÃO TE AMAM.  

Pessoas que não te amam não dão bola pra você, sua rotina ou sua vida, provavelmente não te apoiam, e certamente não querem ter nada que ver com suas piores características. Fazer algo que tenha serventia somente aos seus motivos egoístas não deveria aparecer agora na tela destas outras pessoas – sinceramente, não deveria.

Tá, tenho que ir. Academia, jantar, casa e cama pra mim.

 

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Para acompanhar os próximos posts em Português, siga Camila Santos Simmons e suas peripécias tradutóricas.

Tensão Pré-corrida de Taxi

Por que será que pegar taxi em um lugar desconhecido sempre gera um desconforto, um medo de ser passado para trás? Pode ser em Porto Alegre ou Kota Kinabalu, o turista sempre fica com receio, pois as histórias de horror se multiplicam.

Parece que nossa cidade se deu conta de que estamos sujeitos a esse tipo de situação durante o Mundial de Atletismo de 2013, quando alguns turistas infelizmente viraram manchete graças à ganância de alguns motoristas.

A mim também entristece que espertalhões tentem tirar vantagem de turistas que, por não conhecerem a cidade ou nossa língua, ficam à mercê da (falta de) honestidade de outrem.

Acontece que muitos não se dão conta que esta é uma prática mundial. Sei que tem muito profissional honesto, mas  graças aos oportunistas de plantão os taxistas têm uma má reputação em quase qualquer lugar. Alguns incidentes ocorridos com o pessoal aqui de casa:

– Minha tia foi visitar meu irmão no Rio de Janeiro e pagou $120 por uma corrida que normalmente custa $50. Nas subsequentes visitas que meu irmão recebeu, ele resolveu que iria até o aeroporto (ele não tem carro) buscar turistas inexperientes e assim lidar ele mesmo com os taxistas.

– Quando cheguei no aeroporto de Roma, um cara me atacou já na retirada das malas na esteira mesmo, trancou minhas malas em seu carro e começou a negociar o valor da corrida sob meus protestos. Só depois de muito bate-boca em uma língua que desconheço, na base de muito gesto foi que saí ilesa e sem pagar o “resgate” das malas. Em Bali passei por um sufoco parecido, mas já sabendo desses truques, quando percebi que alguém estava  tentando pegar a mala da minha mão fiz sinal para os seguranças do aeroporto.

– Em Melbourne, taxistas não gostam de fazer nem corrida muito longa nem muito curta. Por questões de segurança eu já quis fazer corrida curta,  porém tive que pagar uma boa gorjeta para que aceitassem me levar.

– Na Jamaica, aprendi rapidinho que antes de entrar no taxi era melhor fazer uma tomada de preços com pelo menos três profissionais. Eles adoram perguntar “quanto você quer pagar?” – então vale à pena perguntar para os locais qual o valor justo antes de ir falar com os motoristas. Com estas simples medidas, a economia chegou a mais de 50% na maioria dos casos.

– Em Cuba, a dona da hospedagem onde ficamos sempre nos falava quanto sairia a corrida, e nos instruiu a sempre procurarmos por taxistas longe de pontos turísticos para pagarmos um preço “justo”.

Tenho várias histórias dessas, mas elas são todas muito parecidas, apenas mudam de endereço. Felizmente saí (quase) ilesa de (quase) todas elas. O que fez a diferença sempre foi a busca de informações e experiência.  Se você não tem a experiência, procure quem tenha, pergunte no hotel quanto deve sair a corrida e qual a melhor rota.

Lamentavelmente, não é só em Porto Alegre que taxista tenta tirar vantagem de desavisados; a diferença é que aqui isto vira notícia porque não estamos acostumados a receber grandes volumes de turistas. Falo tudo isso não por achar tudo muito “normal”, mas sim para que sirva de alerta a quem vem para a Copa, pois a história se repetirá – aqui e na cidade mais perto de você.

 

Como o Facebook Mudou Minha Vida

Assim como parece difícil acreditar que já foi possível marcar encontros (e tudo dar certo) sem telefones celulares, atualmente é estranho pensar que um dia não tínhamos Facebook. Que há uns dez anos atrás era difícil acompanhar os momentos felizes de um amigo que morava longe, ou que um dia não precisávamos validar todos nossos passos dando check-in ou alterando nosso ‘status’. Sim, pasmem, antigamente bastava casar-se na igreja/cartório/terreiro, já agora isso não vale de nada se não tiver a bênção do facebook. Veja abaixo outras curiosidades incríveis do mundo do Sr. Zuckeberg:

Posso decidir se quero ser amigo de alguém antes de realmente ser.

Funciona assim: vou para um curso/emprego/bairro novo. Logo, surgem os candidatos a amigo trocando contato no FÊICI. Em segundos a amizade evolui para o compartilhamento de vídeos e curtição mútua de fotos. Ôpa, parece que o cara da rua de cima tem dicas infalíveis sobre como ficar rico rápido, já a mocinha da casa ao lado ama vídeos de crianças japonesas prodígio. Assim ficou mais fácil escolher minha companhia para o próximo porre – se eu resolver convidar aquele colega que faz check-in até na fila do super, o resultado da noite é culpa toda minha, não posso dizer que não haviam ali claros sinais de que minhas fotos agarrada ao segurança do bar seriam usadas contra mim.

 

Não tenho que conversar sobre o nada com as pessoas.

Tempo para conversar ao vivo nunca temos, mas seguir os posts um do outro, seguimos. Eis que aquele conhecido a-do-ra deixar o mundo saber de seus movimentos diários, desde a visita matutina ao espelho (quando constatou que era um momento único que merecia uma selfie), até pouco antes de deitar, quando lembrou seus face-amigos que a vida era muito generosa com ele por dar-lhe tantos bens materiais – bens que, claro, examinamos um a um no álbum que mostra desde o momento de decisão de compra, passando por aquisição, transporte para casa e montagem. É o fim dos silêncios constrangedores, pois a próxima vez que eu encontrá-lo no elevador não preciso perguntar sobre o tempo, posso indagar sobre a performance do novo computador (computador, esse, que inclusive o ajudei a escolher através de meus comentários pseudo-informados no seu post).

 

Escolho que conversas não quero ter (e que pessoas preciso isolar por um tempo, ao menos até que o assunto morra).

Sabe quando descobrem que um famoso andou dizendo umas asneiras, ou que tal político é ladrão, ou desmascaram um erro de jornalista, ou se dão conta que o Brasil é um país horrível para se morar? Quando eu era criança, quem tentava me convencer pela repetição era a TV, hoje em dia quem tenta provocar meus sentimentos são as redes sociais. O facebook tenta me engajar em debates que normalmente mostram parte da história, isso quando mostra história alguma (e não lorota). Marqueteiros mundo a fora se deram conta de tudo isso muito antes de mim e usam a revelia a falta de bom-senso nas redes. Basta um Zé ninguém escrever o que quer sobre um assunto polêmico, a coisa é então muitas vezes dita (ou compartilhada, melhor ainda) e acaba virando verdade.

A velocidade da informação é, às vezes, rápida demais.

Há não muito tempo atrás, a informação era recebida através da TV e do jornal impresso. Às vezes poderíamos dar a sorte (ou azar) de presenciar um fato inédito, ou de um amigo ligar contando que viu fulano na rua fazendo o que não devia. Isso era a exceção, a regra era obter informações devidamente filtradas e editadas pelos veículos de informação. Adoro a internet porque posso pesquisar pelo que quiser, na hora que eu quiser e posso então tentar formar minha própria opinião. É ótimo não precisar esperar os donos da opinião decidirem o que eu posso ouvir/assistir. Os celulares com ótimos recursos de câmera e internet ampliaram esta velocidade, a tal ponto que se alguém flagrar algo, vai cair na rede e de lá só sairá abaixo de processos ou protestos. Essa velocidade chegou a um ponto assustador. Fico sabendo de coisas que não sei se quero saber, vulgo “só um lado da história”.

Em tempo: fico tão chocada quanto qualquer ser humano normal quando se descobre alguma afronta à civilidade – corrupção, crimes, violência, unha mal feita; só acho um saco mesmo é quem acha que tem que se ter uma opinião formada sobre tudo e propagá-la nas redes, piormente se ainda não se conhecem todos os fatos.

 

Brasileiro adora um debate.

É só aparecer um assunto polêmico, todo mundo vai compartilhar. Qual é a moral de compartilhar que o Brasil é foda? Eu sei que o Brasil é foda, você sabe. O que vai adiantar esse debate? Resposta: vai aliviar a nossa consciência, pois vamos nos achar “fazendo a nossa parte”. Que parte? Parte faz quem vota, quem educa, quem não faz gato em casa, quem não terceiriza filho. Está muito na moda e virou forma de se mostrar ‘engajado’ falar das podreiras do país. A internet tem bastante canais de notícias para me informar de todos estes assuntos, e o facebook com certeza não é um deles. Há quem diga que quer que todo mundo fique sabendo, que deve-se compartilhar tal e tal ‘vergonha’ para ‘expor’ este partido, ou aquela empresa. Estaríamos, assim, supostamente fazendo a nossa ‘parte’. Sinceramente, quem precisa de facebook para se manter informado, não merece ser informado.

 

O Facebook é muito fodão!

Muitos usam pra dar risada dos outros, muitos usam com objetivos voyeurísticos. Uma coisa todos nós temos em comum: ninguém desativou sua conta ainda.

Adoro ficar sabendo dos meus amigos que moram longe e de suas conquistas, gosto de dividir fotos de lugares em que nunca estive antes. Mas infelizmente, para cada risada que dou de piadas compartilhadas, tenho que conviver com correntes da amizade, convites para Games e esse tal de jornalismo verdade.

by PR TARCISO

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